Sarah Winter, a inglesa nazista que reencarnou no Brasil

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Publicado quarta-feira, 24 de junho de 2020 as 16:35, por: CdB

É a história de uma jovem inglesa antissemita que, mesmo depois de morta, se torna de novo conhecida por querer perverter uma velha estratégia judaica, narrada no Velho Testamento da Bíblia, para ajudar no próximo golpe de Estado que se prepara no Brasil

Por Rui Martins, de Genebra, editor do Direto da Redação
A inglesa que reencarnou no Brasil era nazista e antissemita

Ah, hoje tenho uma história da Bíblia para lhes contar! Já que o Brasil se tornou o povo eleito de Cristo, decidi escrever, na medida do possível, textos ligados direta ou indiretamente com as Santas Excrituras, isso mesmo, Excrituras com x porque elas evoluíram muito nesses 2 mil anos.

A socialite nazista do século passado…

Ah, hoje tenho uma história da Bíblia para lhes contar! Já que o Brasil se tornou o povo eleito de Cristo, decidi escrever, na medida do possível, textos ligados direta ou indiretamente com as Santas Excrituras, isso mesmo, Excrituras com x porque elas evoluíram muito nesses 2 mil anos.

É a história de uma jovem inglesa antissemita que, mesmo depois de morta, se torna de novo conhecida por querer perverter uma velha estratégia judaica, narrada no Velho Testamento da Bíblia, para ajudar no próximo golpe de Estado que se prepara no Brasil.
Na verdade, se ela já morreu, ficaria impossível continuar a história, mesmo porque ninguém iria acreditar. Trata-se, portanto, de uma reencarnação —a reencarnação da bela Sarah Domwille-Taylor Winter, numa cidade do interior onde nasceu já falando, pasmem os senhores, em português, ao invés do inglês que aprendera em Ludlow, na região de Shropshire, na velha Inglaterra.
Depois do seu segundo nascimento, a inglesa Sarah, de corpo novo, teve grande sucesso na Europa, onde se juntou a um grupo feminista, fez muitas amigas e passou a participar de manifestações.
Entretanto, ao chegar no território europeu, a vida anterior de Sarah voltou a se manifestar. Ela vivera na época da 2ª Guerra e, desde o começo dos anos 30, tivera atração e xodó por um star político da época, um alemão meio pirado que, frustrado como pintor, reuniu no seu programa uma coletânea daquilo que as pessoas também frustradas não gostam nos outros. Tudo com muita agressividade.
Como o objetivo era o de fazer malvadeza com os outros, Hitler —era seu nome—, com seu bigodinho, logo criou um enorme grupo de amigos malvados, todos fazendo o gesto da arminha ou imitando com a boca o barulho das metralhadoras. Quando o grupo ficou grande, saíam pelas ruas de Berlim à noite, assustando e metendo medo na população. Matavam também alguns.
…e sua imitadora no Brasil atual, fake dos cabelos aos pés…

Foi quando Hitler começou a gostar de vestir uniformes militares: levantava o braço direito e gritava Heil!, ao que seus seguidores respondiam Hitler. De longe as pessoas tinham calafrio e pensavam ter escutado hell ou hölle, mas soava mesmo como inferno… e iria ser!

O tempo passou. Morreram milhões de pessoas na 2ª Grande Guerra, desfechada pelo louco do Hitler. E Sarah, inglesa insensível, sempre conspirou em favor do alemão, mesmo na época de Churchill.
Sarah, vocês se lembram, era antissemita e nazista, mas após sua reencarnação no Brasil e convertida cristã depois da viagem à Europa, dizia seguir ou acreditar em Jesus, meio católica e meio evangélica.
E exatamente como na velha Berlim, voltou a sentir-se atraída por um político, desta vez brasileiro, cujo comportamento agressivo e linguagem militar de extermínio de seus inimigos lembrava os discursos hitleristas.
Logo, tudo voltou a ser  muito parecido com a Alemanha nazista, numa adaptação tropical surrealista —o objetivo era o de acabar com a democracia, eliminar os deputados da oposição e suprimir os juízes do Tribunal Federal para poder instaurar uma ditadura, ao som da música de Wagner. Tudo isso provocava êxtase e calafrios na inglesa.

Foi quando, remexendo nas histórias judaicas do Velho Testamento, lhe veio a ideia de formar uma brigada, inspirada nos 300 valorosos soldados comandados por Gideão.

…e que já foi até feminista extremada.

Porém, é claro, da história original pouco restaria —ela queria subverter a história bíblica e utilizá-la no sentido inverso: seria Gideona, na versão feminina, a chefe antissemita destinada a ajudar a impor-se no Brasil um regime militar ditatorial nazista.

Será que Sarah, disfarçada no seu nome bíblico, conseguirá concretizar seu intento? A Bíblia previne contra falsos Messias e pitonisas da desgraça, mas isto nem sempre bastou para o povo se manter alerta. Tão perigosos quanto o coronavírus são os neonazistas pervertedores da história bíblica dos gideonitas.
Aí chegamos ao fim da história prometida mas bem resumida. Se gostou, poderá conferir no livro bíblico de Juízes, nos capítulos 6 a 8, e saber como foram escolhidos os alertas combatentes de Gideão, entre os que faziam concha com a mão para beber água do rio e na rejeição dos que bebiam água diretamente no rio, sem olhar para os lados.
Qualquer semelhança dessa história bíblica com personagens reais, vivos ou mortos, será mera coincidência. E se quiser imitar os soldados de Gideão ao beber água, mesmo de torneira, não se esqueça, antes lave bem as mãos.
Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A Rebelião Romântica da Jovem Guarda, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil, e RFI.
Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins

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