Serviços voltam a patinar, para surpresa de analistas econômicos

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Publicado sexta-feira, 10 de julho de 2020 as 16:37, por: CdB

Essas perdas, no entanto, somam-se à queda recorde de 11,9% em abril, chegando ao quarto mês seguido de contração, embora os efeitos da pandemia só tenham sido registrados a partir do final de março, pesando sobre uma atividade que já vinha mostrando dificuldades em engrenar uma recuperação. Nos quatro meses seguidos de retração, o setor de serviços acumula perda de 19,7%.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O setor de serviços brasileiro surpreendeu os analistas econômicos ao registrar novas perdas, em maio, devido às medidas de restrição contra o coronavírus que fecharam empresas, contrariando expectativas de crescimento. A queda, no entanto, apresentou certa desaceleração, ante abril. O volume de serviços registrou queda de 0,9% em maio na comparação com abril, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ante julho de 2018, a alta foi de 1,8%, maior taxa para o mês, nessa base de comparação, desde 2014
A pandemia do novo coronavírus atingiu, em cheio, o setor de serviços, que mais gera empregos na economia

Essas perdas, no entanto, somam-se à queda recorde de 11,9% em abril, chegando ao quarto mês seguido de contração, embora os efeitos da pandemia só tenham sido registrados a partir do final de março, pesando sobre uma atividade que já vinha mostrando dificuldades em engrenar uma recuperação. Nos quatro meses seguidos de retração, o setor de serviços acumula perda de 19,7%.

— Temos um aprofundamento dos efeitos da pandemia sobre o setor de serviços, uma vez que foi uma queda em cima de uma queda histórica. Não podemos confundir a queda menor em maio do que em abril com uma reação — disse o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Dinâmica

Na comparação com maio de 2019, o setor apresentou recuo de 19,5%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de alta de 5,2% no mês e de contração de 14,3% no ano.

Em maio, entre as cinco atividades de serviços pesquisadas, três apresentaram perdas — o volume de serviços de informação e comunicação recuou 2,5% e o de profissionais, administrativos e complementares teve queda de 3,6%, enquanto a atividade Outros serviços perdeu 4,6%.

— São segmentos que dependem de uma dinâmica econômica ativa. Antes, havíamos sentido o impacto da crise principalmente nos serviços prestados às famílias, agora os serviços prestados por empresas para outras empresas começam a sentir efeitos importantes — explicou Lobo.

Recuperação

Sob outro ângulo, no entanto, as atividades de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio aumentaram 4,6% e de serviços prestados às famílias subiu 14,9%.

— Os setores ligados às partes de alojamento e alimentação e transporte foram os que tiveram as perdas mais importantes no mês de abril. Em maio, eles mostram uma certa recuperação, crescendo nesse mês, mas não o suficiente para levar o setor de serviços para o campo positivo — pontuou Lobo.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central junto ao mercado mostra que a expectativa é de contração de 6,50% da economia neste ano, com crescimento previsto de 3,50% em 2021.

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