Servidores dos Correios podem entrar em greve por tempo indeterminado

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Publicado terça-feira, 10 de setembro de 2019 as 13:24, por: CdB

Categoria realiza assembleias para confirmar decisão contra a direção dos Correios, que se recusa a negociar. Trabalhadores também são contra a privatização.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Os carteiros realizaram assembleias nesta terça-feira em diversos Estados do país para decidir se entram em greve por tempo indeterminado, a partir das 22h. A mobilização foi convocada Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) e as assembleias são realizadas pelos sindicatos nos Estados.

Carteiros: além de defender a manutenção de todas as cláusulas, os trabalhadores querem um aumento linear de R$ 300 por conta de aumento de produtividade, com reposição da inflação pelo índice IPCA-Dieese

Segundo o diretor de Comunicação do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares de São Paulo, Grande São Paulo e zona postal de Sorocaba, Douglas Melo, há uma tendência para a greve ser aprovada nas assembleias de hoje. Em São Paulo, a assembleia será realizada na sede do CMTC Clube, no Canindé.

A categoria está em estado de greve em todo o país, porque a empresa não tem se mostrado disposta a negociar, nem mesmo com a entrada do Tribunal Superior do Trabalho (TST) como mediador. “A empresa informou na semana passada que não ia participar do processo com o tribunal”, disse Melo.

A direção da empresa estatal pretende retirar 45 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, o que, segundo as estimativas de Melo, vão representar um prejuízo anual para cada trabalhador em torno de R$ 5 mil. A empresa também oferece apenas 0,8% de reajuste salarial. A data-base da categoria é 1º de agosto.

Além de defender a manutenção de todas as cláusulas, os trabalhadores querem um aumento linear de R$ 300 por conta de aumento de produtividade, com reposição da inflação pelo índice IPCA-Dieese.

Os carteiros também reivindicam que os valores do acordo coletivo de trabalho sejam reajustados pelo percentual do reajuste salarial, entre outros itens da pauta da categoria.

Plenária contra a privatização

A mobilização dos trabalhadores é contra a privatização da empresa também. Nesta quarta-feira, eles realizam uma plenária “de resistência contra as privatizações e a destruição do estado brasileiro”, anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Como o governo anunciou um pacote de privatização com 17 estatais, os trabalhadores dos Correios convidaram representantes de outras categorias que atuam nessas empresas para participar da plenária.

A privatização dos Correios, em particular, deve receber resistência dos trabalhadores, da sociedade e do próprio Congresso Nacional. “A resistência é uma necessidade, uma tarefa histórica colocada para os trabalhadores e suas entidades representativas frente a um governo entreguista, explorador e autoritário”, dizem os carteiros. Na plenária, os trabalhadores devem decidir ações conjuntas para esclarecer a opinião pública do processo de entrega da soberania que está em curso no país com o governo Bolsonaro.

MST pressiona governo

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou em coletiva de imprensa, na segunda-feira, a instalação de um acampamento em frente ao Centro de Formação Paulo Freire localizado na cidade de Caruaru, em Pernambuco, para pressionar o governo estadual contra a desapropriação do instituto de ensino que, na última semana, foi surpreendido com o pedido de reintegração de posse movido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do governo de Jair Bolsonaro.

Desde que o anúncio foi feito, o MST iniciou um diálogo com a gestão estadual, que já teria manifestado o compromisso em evitar a desapropriação. Com o acampamento, o movimento objetiva pressionar para que a situação seja logo resolvida. “Estamos articulando a sociedade, a população e a nossa base para que possamos ir contra essa insanidade de quem está no governo federal e quer desalojar uma área que pertence ao conjunto, que é uma área de educação popular”, destaca o integrante da direção nacional do MST Jaime Amorim em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Iniciativa do movimento, o centro, que faz parte do assentamento Normandia, foi criado há mais de 20 anos com aval da própria equipe técnica do Incra que orientou para uma utilização do espaço de forma coletiva, contribuindo para a capacitação e formação dos assentados do Estado. Hoje, o Centro de Formação Paulo Freire tem diversas parcerias na área de educação com a prefeitura de Caruaru, com turmas de ensino fundamental, além de parcerias com o governo estadual e com diversas universidades que agora estão ameaçadas com o pedido de reintegração acatado por um juiz da 24ª Vara Federal do município.

– Buscamos, tanto do ponto de vista prático como teórico, a pesquisa e as condições técnicas para a gente avançar na agroecologia e no centro de formação que cumpriu e cumpre um serviço importante para o desenvolvimento das áreas de reforma agrária no estado e em especial no Nordeste – afirma Amorim.

Além da mobilização local, o MST vem recebendo diversas manifestações de apoio à permanência do Centro de Formação nas estruturas atuais, como o senador Humberto Costa (PT-PE), líder na sigla no Legislativo, que repudiou a determinação judicial de reintegração de posse, com autorização do uso da força policial, e entrou com um requerimento para que o Incra explique a motivação para o pedido de reintegração, ainda desconhecida.

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