Subserviência de Bolsonaro a Trump leva chanceler ao crivo do Parlamento brasileiro

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Publicado segunda-feira, 21 de setembro de 2020 as 15:24, por: CdB

A senadora Kátia Abreu (PP-TO), titular da comissão, disse quer ouvir de Araújo explicações convincentes sobre a visita, da qual ele participou pessoalmente. Na reunião em Boa Vista, que durou pouco mais de três horas, Pompeo fez críticas ao governo da Venezuela.

Por Redação – de Brasília

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou, nesta segunda-feira, um convite para o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, explicar a visita do secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, a Roraima, na semana passada, depois de um grupo tentar barrar as sabatinas de indicados para embaixadas marcadas para esta semana. De acordo com o senador Telmário Mota (PROS-RR), o ministro já aceitou o convite e a audiência ficou marcada para quinta-feira.

Pompeo e Araújo encontraram-se na capital Boa Vista, a poucos quilômetros da fronteira com a Venezuela, país sob ataque dos EUA
Pompeo e Araújo encontraram-se na capital Boa Vista, a poucos quilômetros da fronteira com a Venezuela, país sob ataque dos EUA

A senadora Kátia Abreu (PP-TO), titular da comissão, disse quer ouvir de Araújo explicações convincentes sobre a visita, da qual ele participou pessoalmente. Na reunião em Boa Vista, que durou pouco mais de três horas, Pompeo fez críticas ao governo da Venezuela e disse que os EUA trabalham pela queda do presidente do país, Nicolás Maduro.

No Congresso

O ato público foi compreendido, no Parlamento, como uma operação midiática do governo norte-americano, no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, declina nas pesquisas de opinião na tentativa de se reeleger, para mais de 10 pontos percentuais atrás do democrata Joe Biden, na média dos estudos realizados até agora.

— Se as explicações não convencerem os senadores, aprovaremos uma moção de censura contra o chanceler. Isso afeta diretamente a carreira e a reputação do diplomata — disse a senadora.

Neste fim de semana, um grupo de senadores, entre eles Abreu e Mota, reagiu à visita do secretário norte-americano, com a suspensão das sabatinas aos indicados para a chefia das embaixadas brasileiras. Para que assumam os cargos aos quais foram designados, os diplomatas precisam passar por essa etapa, no Senado.

Pompeo

Caso seus nomes sejam aprovados na Comissão, seguirão ao Plenário do Senado. Nesse momento, a CRE tem 32 nomes represados, inclusive o do indicado a embaixador na Argentina, Reinaldo de Almeida Salgado. O presidente da comissão, Nelsinho Trad (PSD-MS), se disse favorável a que as sabatinas obedeçam o cronograma, “para evitar mais prejuízo às relações internacionais do país”.

A visita de Pompeo, a apenas 40 dias das eleições presidenciais, é vista no Congresso como uma interferência indevida do governo brasileiro no processo eleitoral dos EUA. Com a concessão ao governo Trump, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem trabalhado, incessantemente, pela reeleição do candidato republicano.

A presença de Pompeo em solo brasileiro, na fronteira com a Venezuela, com declarações agressivas contra o governo do país vizinho, no entendimento de diplomatas ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, viola a tradicional política de independência e não intervenção do Instituto Itamaraty. Em nota, na véspera, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o episódio “afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”.

Na fronteira

Bolsonaro, por sua vez, voltou às redes sociais para defender a presença do preposto dos EUA na Amazônia Legal.

“A visita do secretário de Estado @SecPompeo à Operação Acolhida, em Boa Vista/RR, em companhia do @ItamaratyGovBr (Ministro @ernestofaraujo), representa o quanto nossos países estão alinhados na busca do bem comum”, escreveu, acompanhado de uma foto sua com Trump.

Nesta manhã, foi a vez de o vice-presidente, general Hamilton Mourão, tentar reduzir a gravidade da crise gerada por seu companheiro de governo.

— Um pessoal criticou, eu respeito as críticas de ex-chanceleres, do presidente da Câmara, mas eu não vi nada demais. Nós temos um alinhamento com os Estados Unidos desde a época da nossa independência. Pompeo foi ver uma operação do Estado brasileiro, organizada pelo Exército — resume o militar.

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