Turquia condena jornalistas de oposição

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Publicado quinta-feira, 26 de abril de 2018 as 10:41, por: CdB

Funcionários do jornal “Cumhuriyet” são acusados de colaborar com organizações terroristas, numa decisão que eleva as preocupações com a liberdade de imprensa no país. Editor-chefe diz que objetivo é amedrontar imprensa

Por Redação, com DW – de Ancara:

A Turquia condenou à prisão nesta quinta-feira jornalistas e altos funcionários do jornal de oposição Cumhuriyet, acusados de associação ao terrorismo, numa decisão que aumenta as preocupações com a liberdade de imprensa no país. 

O tribunal onde ocorreu o julgamento dos jornalistas do Cumhuriyet em Instambul

A Justiça sentenciou 14 colaboradores do Cumhuriyet, que aguardavam a decisão do tribunal em liberdade; pela acusação de “auxiliar grupos terroristas sem serem membros”. Segundo a agência estatal de notícias Anadolu; eles receberam penas que variam entre dois anos e meio e sete anos e meio de prisão. Outras três pessoas foram absolvidas.

Entre os sentenciados estavam o editor-chefe do jornal, Murat Sabuncu; além de jornalistas, colunistas e um cartunista. O proprietário do Cumhuriyet, Akin Atalay; que estava em prisão preventiva, recebeu pena de sete anos; e meio de prisão e está em liberdade condicional; enquanto aguarda o julgamento de seu recurso.

Sabuncu afirmou que o veredicto é um ataque aos jornalistas; com o objetivo de “nos impedir de praticar o jornalismo na Turquia, nos amedrontar”. Ele afirmou que o grupo continuará seu trabalho mesmo se tiver que voltar à cadeia.

Os membros do jornal

Os membros do jornal são acusados de colaborar com três grupos de oposição considerados organizações terroristas pelo regime do presidente Recep Tayyip Erdogan: o banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK); a organização de extrema esquerda DHKP-C e o movimento do clérigo muçulmano Fethullah Gülen; o qual as autoridades acusam de estar por trás da tentativa de golpe de Estado em julho de 2016. 

O Cumhuriyet rejeitou as acusações, afirmando que o governo procura silenciar um dos últimos órgãos da imprensa escrita independentes na Turquia.

Em 2015, o jornal recebeu o prêmio Liberdade de Imprensa da ONG Repórteres sem Fronteiras. A Turquia ocupa a 157ª posição no ranking de liberdade de imprensa estabelecido pela mesma organização.

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