Vazamentos encerram carreira empresarial de Dallagnol, que queria ficar rico

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado domingo, 14 de julho de 2019 as 13:46, por: CdB

Procurador ligado ao ex-juiz Sérgio Moro, o também empresário Deltan Dallagnol é capturado, mais uma vez, em situações pouco republicanas.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Capturado nos diálogos nada republicanos que manteve, ao longo de mais de dois anos, em um grupo de mensagens no aplicativo Telegram, o procurador federal Deltan Dallagnol protagoniza, neste fim de semana, mais um episódio do escândalo batizado de Vaza Jato. Dallagonol planejava ficar rico com o resultado de palestras, durante as investigações que culminaram com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, como se sabe agora, encontra-se condenado sem uma prova cabal do seu envolvimento na rede de corrupção que agia na Petrobras.

Dallagnol poderá ser afastado do cargo, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF)
Dallagnol poderá ser afastado do cargo, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF)

Coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Dallagnol chegou a armar um plano de negócios no qual pretendia lucrar alguns milhares de reais em palestras e eventos patrocinados por grandes empresas e firmas de eventos, segundo mensagens obtidas pela agência norte-americana de notícias Intercept Brasil e publicadas na edição dominical do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. Seus planos, após, o vazamento, seguem ladeira abaixo.

Em uma conversa sobre o assunto, no final do ano passado, Dallagnol e o colega, procurador Roberson Pozzobon, combinaram abrir uma empresa “na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas”, revela o diário.

Estratégia

Em um diálogo com a mulher dele, no grupo do Telegram, combinou “organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, escreveu.

Ali estava montada a estratégia para criar um instituto e obter elevados cachês.

“Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”, comentou Deltan com Pozzobon.

“A realização de parcerias com uma firma organizadora de formaturas e outras duas empresas de eventos também foi debatida nessa conversa. A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e permite que essas autoridades apenas sejam sócios ou acionistas de companhias”, acrescenta a reportagem.

Palestras

Sem funcionários contratados, segundo os diálogos capturados pela Intercept, Dallagnol “ocupou os serviços de duas funcionárias da Procuradoria em Curitiba para organizar sua atividade pessoal de palestrante no decorrer da Lava Jato”.

“A intensa atividade de Deltan como palestrante chamou a atenção da imprensa e levou os deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) a pedirem abertura de um procedimento disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O requerimento, porém, foi arquivado”, acrescenta.

Após análise da denúncia, o CNMP entendeu que as palestras se enquadravam como atividade docente, o que é permitido por lei, e ressaltou que grande parte dos recursos era destinada a instituições filantrópicas.

Magistratura

“Se tudo der certo nas palestras, vai entrar ainda uns 100k (R$ 100 mil) limpos até o fim do ano. Total líquido das palestras e livros daria uns 400k (R$ 400 mil). Total de 40 aulas/palestras. Média de 10k limpo”, calculou o procurador, segundo a FSP.

“Caso tenha atingido a meta de faturamento líquido de R$ 400 mil em 2018, essa remuneração pode ter superado a soma dos salários de Deltan como procurador da República naquele ano.
Dados do Portal da Transparência do Ministério Público Federal mostram que ele recebeu cerca de R$ 300 mil em rendimentos líquidos em 2018, sem considerar valores de indenizações”, deduz a reportagem.

Os vazamentos, que já passam de um mês em evidência, tem causado um estrago na imagem do ex-juiz Sérgio Moro, coordenador da Operação Lava Jato e hoje ministro licenciado da Justiça e Segurança Pública. Após as eleições, Moro trocou a magistratura pela cadeira no ministério do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que ajudou a eleger com a prisão de Lula.

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