Vem aí um novo Guedes?

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Publicado quarta-feira, 5 de agosto de 2020 as 10:09, por: CdB

A questão é saber se Paulo Guedes aceitará se travestir num aprendiz de um certo” gastador irresponsável” bastardo para permanecer no cargo ou se resistirá bravamente com sua coerência da ortodoxia neoliberal.

Por Paulo Kliass – de Brasília

Mas uma vez Paulo Guedes encontra-se em uma encruzilhada em sua missão à frente do Ministério da Economia. Aliás, diga-se de passagem, não foi a primeira e muito provavelmente tampouco será a última situação em que ele precisa se reacomodar. O old chicago boy tem cumprido uma função bastante importante no que se refere à sustentabilidade política de seu chefe. Desde os primeiros movimentos de composição da chapa que concorreria às eleições presidenciais de outubro de 2018, Bolsonaro percebeu que necessitava urgentemente de alguém que fizesse uma possível ponte com as elites de nosso sistema econômico.

Paulo Guedes
Paulo Guedes

O banqueiro apostou todas as suas fichas no bom desempenho do capitão no pleito e incorporou o personagem do Posto Ipiranga até as últimas consequências. O candidato fingiu um esquecimento de seu comportamento nas votações da Câmara dos Deputados em matérias relevantes para os donos do financismo. Assim, estes últimos perdoaram seus antigos discursos contra as reformas da previdência ou contra as privatizações de empresas estatais. No jogo do faz-de-conta da cena política, o capitão converteu-se rapidamente em um adepto ferrenho do liberalismo raiz de seus novos apoiadores.

Ora, para qualquer analista político experiente, esse tipo de mudança repentina de cartilha responde pelo singelo nome de oportunismo. Bolsonaro precisou operar essa mudança de fachada para manter o apoio desse importante segmento das elites empresariais e de seus porta vozes no interior dos grandes meios de comunicação. Afinal, não é razoável supor que as crenças anteriores de décadas de um direitista defensor de palavras de ordem de um certo nacionalismo rasteiro e da presença do Estado na economia desaparecessem da noite para o dia.

Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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