Vitais na cadeia alimentar, coelhos selvagens nos EUA são dizimados por vírus letal

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Publicado sábado, 4 de julho de 2020 as 13:07, por: CdB

O departamento norte-americano para a Agricultora (USDA, na sigla em inglês) tem confirmado desde abril de 2020 casos de RHDV-2 no Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Novo México, Utah e Texas.

Por Redação, com Sputniknews – de Nova York, NY-EUA

Os seres humanos não são os únicos no mundo a enfrentar uma pandemia. Enquanto o vírus Sars-CoV-2 leva à morte mais de 150 milhões de pessoas, um outro vírus está dizimando coelhos selvagens e domésticos, sobretudo nos EUA. Em sete Estados do sudoeste dos EUA, milhares de coelhos selvagens e domésticos têm morrido de um raro surto de uma síndrome altamente contagiosa, conhecida como doença hemorrágica viral do coelho (RHDV-2).

Coelhos selvagens tem sido infectados por um vírus letal, em Estados norte-americanos
Coelhos selvagens tem sido infectados por um vírus letal, em Estados norte-americanos

Segundo o portal Trust My Science, os sintomas desta doença podem ser agudos, como apatia, febre, dispneia, problemas de coordenação e tremores. A doença, apelidada nos meios científicos de Bunny ebola, mesmo não tendo relação com o ebola humano, causa hemorragias graves, falência de órgãos e morte em coelhos.

Muitas vezes, o único sinal externo de que os animais estão infectados ocorre após a morte, sempre súbita, quando uma descarga sanguinolenta sai de seu nariz. O departamento norte-americano para a Agricultora (USDA, na sigla em inglês) tem confirmado desde abril de 2020 casos de RHDV-2 no Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Novo México, Utah e Texas. Zonas do México ocidental também já estão afetadas pelo vírus.

Lebres selvagens

Este é o quarto surto de RHDV-2 nos EUA. Variantes do vírus se espalharam por quase todos os continentes desde que os cientistas relataram o primeiro caso na China, há 35 anos. Mas nunca o vírus havia alcançado tal nível de disseminação como agora, dos coelhos domésticos para coelhos e lebres selvagens.

Esta nova epidemia na região sudoeste surgiu no Arizona e Novo México em março de 2020 e não está relacionada com as crises anteriores.

— Ainda não temos nenhuma ideia de onde veio. É um efeito bola de neve. O vírus está se espalhando de forma alucinada — afirmou Ralph Zimmerman, um veterinário do Estado do Novo México, citado pelo Trust My Science.

Insetos

O vírus mata com uma eficácia surpreendente. Incubando-se em apenas três dias, alguns coelhos infectados começam então a perder o apetite e energia, enquanto outros não apresentam sintomas externos antes de morrer. Os órgãos dos coelhos (principalmente fígado e baço) deixam de funcionar e seu sangue deixa de coagular adequadamente.

Na atual epidemia, as autoridades referem uma taxa de mortalidade de cerca de 90%, segundo o Trust My Science. Mas os sobreviventes se tornam um sério perigo para os outros, pois continuam espalhando o vírus por quase dois meses através do sangue, urina e fezes.

Embora o vírus não possa infectar seres humanos ou outros tipos de animais, ele pode grudar nos cabelos, sapatos e roupas e assim se deslocar nas fazendas de coelhos. Crê-se que também os insetos possam disseminar o vírus.

Vacina

Este é um vírus extremamente difícil de erradicar e para o qual ainda não existe cura, podendo ele viver por mais de três meses à temperatura ambiente e suportar temperaturas de 50 °C por pelo menos uma hora, não sendo afetado pelo gelo.

Como o vírus se originou no estrangeiro, ainda não existe uma vacina licenciada nos Estados Unidos e a autorização para sua importação da Espanha e da França é demorada.

Atualmente, o USDA está trabalhando na produção doméstica de uma vacina contra o RHDV-2. Segundo apurou o Trust My Science, no entanto, o processo provavelmente levará um ano ou mais.

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