Vitamina A: a nutrição no combate às sequelas do sarampo

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Publicado segunda-feira, 7 de outubro de 2019 as 11:40, por: CdB

O Ministério da Saúde ampliou o fornecimento do nutriente para atender crianças menores de seis meses. Antes, o tratamento era exclusivo para crianças que estão acima dessa faixa etária.

Por Redação, com ACS – de Brasília

O Ministério da Saúde disponibilizou para os Estados, que estão com surto de sarampo, 2.650 cápsulas de Vitamina A. O suplemento deve ser usado em crianças menores de 6 meses de idade, com suspeita de sarampo. Esse público é mais suscetível aos danos causados pela doença, como cegueira e até óbitos, e a Vitamina A é protagonista na prevenção dessas complicações. Atualmente, dos seis óbitos registrados pela doença no país, quatro foram em crianças menores de um ano de idade.

O Ministério da Saúde disponibilizou para os Estados, que estão com surto de sarampo, 2.650 cápsulas de Vitamina A
O Ministério da Saúde disponibilizou para os Estados, que estão com surto de sarampo, 2.650 cápsulas de Vitamina A

Do total de cápsulas enviadas, 250 cápsulas (5 caixas) foram para São Paulo, que concentra mais de 90% dos casos de sarampo, e 100 cápsulas (2 caixas) para os demais estados com registro da doença. Os estados são responsáveis pelo armazenamento e distribuição aos municípios.

Novos envios poderão ser feitos pelo Ministério da Saúde, mediante solicitação do gestor local e a depender da disponibilidade de estoque. Atualmente já está disponível na rotina dos serviços de saúde, como parte do programa de suplementação de Vitamina, a oferta de cápsulas de Vitamina A, na concentração 100.000 UI, para crianças entre 6 e 11 meses e 29 dias de idade, e de 200.000 UI para crianças maiores de 12 meses de idade.

Cada criança, com suspeita de sarampo, deve receber, via oral, duas doses da Vitamina A 50.000 UI. A primeira dose deve ser administrada imediatamente ao momento da suspeita na Unidade de Saúde. Para diminuir os riscos de transmissão da doença, a segunda dose deverá ser administrada no dia seguinte, em domicílio.

O profissional de saúde deverá orientar o responsável sobre o método de administração e os cuidados necessários para o devido armazenamento da capsula até o seu uso. Onde houver possibilidade, a recomendação é que a administração domiciliar seja supervisionada por profissional da equipe de Atenção Primária à Saúde e/ ou Vigilância em Saúde.

O sarampo é uma doença viral aguda similar a uma infecção do trato respiratório superior. É grave, principalmente em crianças menores de cinco anos, desnutridos e imunodeprimidos. A transmissão do vírus ocorre a partir de gotículas de pessoas doentes ao espirrar, tossir, falar ou respirar próximo de pessoas sem imunidade contra o vírus sarampo.

A nutrição

A nutrição exerce um papel importante no fortalecimento do sistema imunológico e, no caso das crianças, a Vitamina A é fundamental.

O leite materno fornece a quantidade de Vitamina A que as crianças precisam nos seis primeiros meses de vida quando é oferecido de forma exclusiva, ou seja, quando a criança recebe apenas o leite materno, sem nenhum outro alimento, chá ou água. As quantidades são suficientes para garantir a saúde, permitir crescimento normal e saudável, e para a manutenção de estoques suficientes da vitamina no fígado.

Além do leite materno, a Vitamina A pode ser encontrada em alimentos de origem animal (leite integral, fígado), frutas e legumes de cor amarelo-alaranjada (manga, mamão, cenoura, abóbora), verduras verde-escuras (caruru, bertalha, couve), além de óleos e frutas oleaginosas (buriti, pupunha, dendê, pequi), que possuem substâncias transformadas em vitamina A no organismo humano.

Dados

O Brasil registra 5.404 casos confirmados de sarampo em 19 estados, nos últimos 90 dias, o que representa um crescimento de 1,08% em relação ao último monitoramento. Os dados estão no novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, que corresponde ao período de 07/07/2019 a 28/09/2019 (SE 28-39). Ceará e Paraíba passaram a integrar a lista de estados com transmissão ativa da doença e 97,5% dos registros estão concentrados em 168 municípios de São Paulo, principalmente na região metropolitana. O atual boletim apresenta, ainda, 22.564 casos em investigação e 7.554 que foram descartados. Não há novos registros de óbitos.

Apesar da faixa etária de 20 a 29 anos apresentar o maior número de casos confirmados registrados, a incidência de casos em menores de 1 ano é 10 vezes maior em relação à população em geral. A cada 100 mil habitantes, 64 crianças nessa faixa etária obtiveram confirmação para o sarampo. A segunda faixa etária mais atingida é de 1 a 4 anos. Neste ano, até o dia 28 de setembro, foram confirmados seis óbitos por sarampo: quatro óbitos ocorreram em menores de 1 ano de idade; e dois óbitos em adultos com 31 e 42 anos de idade. Destes casos, cinco não eram vacinados contra a doença, e um estava com a situação vacinal desconhecid

Hemofilia A

Pacientes hemofílicos portadores do tipo A, doença que provoca sangramentos acima do normal por conta de distúrbio no sangue, podem participar de consulta pública para incorporação de novo medicamento no SUS, o emicizumabe.

A Hemofilia A é uma doença hereditária e sem cura
A Hemofilia A é uma doença hereditária e sem cura

O medicamento é indicado para prevenir sangramentos ou reduzir sua frequência, proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes de hemofilia A, tipo mais predominante no país.

A consulta é aberta a todos os pacientes, profissionais de saúde, especialistas, pessoas que estudam a doença e outros interessados no uso do medicamento pelo SUS.

Na consulta pública, os cidadãos podem opinar, acrescentar informações e até críticas, por meio da Internet pelo endereço disponibilizado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Atualmente, o Ministério da Saúde garante o medicamento Fator VIII Recombinante, direcionado ao tratamento da hemofilia A.

No ano de 2018, no Brasil, eram 26, 7 mil pacientes cadastrados no Hemovida Web Coagulopatias,  sistema que reúne informações de todos os centros de tratamentos no país com uma base nacional que reúne dados clínicos, informações sobre o tratamento, registro de infusões de medicamentos, além do controle de estoque de medicamentos.

Do total de pacientes cadastrados com doenças hemorrágicas hereditárias no Brasil, aproximadamente 40% dos casos devem-se a hemofilia A e 8% a hemofilia B.

O maior número de pacientes está concentrado nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Para esses pacientes e seus familiares, a rede de saúde pública também oferta atendimento integral.

Hemofilia

A Hemofilia A é uma doença hereditária e sem cura, transmitida quase que exclusivamente a indivíduos do sexo masculino por meio das mães que portam a condição.

Apesar de serem as mulheres as transmissoras, os sintomas e problemas causados pela hemofilia aparecem apenas nas pessoas do sexo masculino. O tratamento consiste na reposição desse fator deficiente, por meio dos concentrados de fator plasmático ou uso de medicamentos na profilaxia dos sangramentos.

SUS

Na linha de cuidado para tratar a hemofilia e prevenir suas complicações, no SUS, estão disponíveis diversas modalidades de tratamento a todos os pacientes brasileiros acometidos pela doença. Vão, desde sob demanda ou episódico até o profilático (nos casos de pacientes com hemofilia grave).

São ofertados também o diagnóstico e o atendimento aos pacientes e familiares por equipes multidisciplinares, tudo isso orientado a partir de protocolos específicos para tratamento de hemofilias.

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