Wassef entra ‘em modo de guerra’ depois de Bolsonaro negar versão sobre Queiroz

Arquivado em: Política, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 26 de junho de 2020 as 14:40, por: CdB

O ex-defensor do clã presidencial disse que escondia o ex-PM e assessor de Jair e Flávio Bolsonaro, sem o conhecimento do mandatário neofascista. Essa história, no entanto, foi desmentida pelo próprio presidente, na semana passada, pelas redes sociais.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Desesperado para conter os danos ao seu escritório após a exposição pública que tem recebido, nos últimos dias, o advogado Frederick Wassef lançou mais uma versão sobre o caso Fabrício Queiroz. Esta, no entanto, é natimorta.

Wassef passa de advogado da família Bolsonaro a uma ameaça velada ao mandato do presidente da República
Wassef passa de advogado da família Bolsonaro a uma ameaça velada ao mandato do presidente da República

O ex-defensor do clã presidencial disse que escondia o ex-PM e assessor de Jair e Flávio Bolsonaro, sem o conhecimento do mandatário neofascista. Essa história, no entanto, foi desmentida pelo próprio presidente, na semana passada, pelas redes sociais.

Bolsonaro disse, no Twitter, que Queiroz estava na casa do advogado em Atibaia (SP) pela proximidade do hospital onde ele tratava de um câncer; versão igualmente mentirosa e que o hospital negou, logo em seguida.

— E por que estava naquela região de São Paulo? Porque é perto do hospital onde faz tratamento de câncer. Então, esse é o quadro. Da minha parte, está encerrado aí o caso Queiroz — disse Bolsonaro.

Lavagem

Apesar disso, Wassef disse a jornalistas, nesta sexta-feira, que escondeu Queiroz para impedir uma eventual tentativa de assassinato.

— Naquele momento, meu entendimento é que eu queria evitar que Fabrício Queiroz fosse executado em uma simulação qualquer ou mesmo que sumissem com o seu cadáver — contou. 

Fabrício Queiroz foi preso no último dia 18, em Atibaia (SP), em seu esconderijo no sítio do advogado Wassef, sob a acusação de envolvimento com a milícia armada que atua na Zona Oeste do Rio e com um esquema de lavagem de dinheiro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. 

Um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que Queiroz chegou a movimentar R$ 7 milhões de 2014 a 2017. O procurador da República Sérgio Pinel afirmou ter encontrado “fortes indícios da prática de crime de lavagem de dinheiro” envolvendo o filho de Jair Bolsonaro. O Ministério Público do Rio já disse ter encontrado indícios de que o parlamentar lavou R$ 2,27 milhões com compra de imóveis e em sua loja de chocolates. 

Emotivo

Wassef recebeu, na antevéspera, os repórteres da revista semanal de ultradireita Veja para a entrevista que estampa a capa da publicação, nesta sexta-feira. Chamado de “Anjo” nas investigações conduzidas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Wassef mandou recado velado para o clã Bolsonaro: “Entrei em modo guerra. Quando isso acontece, viro o diabo”, disse aos repórteres Daniel Pereira e Sergio Ruiz Luz.

Os dois jornalistas confirmam que Wassef está visivelmente descontrolado, desde a prisão de Queiroz, em Atibaia, no interior de São Paulo, na semana passada.

“Durante o dia, alterna lampejos de euforia com mergulhos em momentos de depressão, nos quais sua verborragia incontida dá lugar a rápidas pausas — dramáticas, quase cênicas — para respiração”, registram.

Mentiroso

Para a ampla maioria dos eleitores brasileiros, no entanto, Jair Bolsonaro sabia desde o início onde estava escondido Fabrício Queiroz. Esta é a opinião de 64% dos brasileiros e brasileiras que tiveram conhecimento da prisão do ex-assessor, segundo levantamento do Instituto DataFolha, divulgado nesta sexta-feira. No outro lado, apenas 38% acreditam que ele está envolvido no esquema das rachadinhas.

Segundo o estudo, 3/4 dos entrevistados afirmaram ter tido ciência do caso, 29% deles bem detalhadamente, 35% mais ou menos e 11%, mal. Apenas 21% acreditam que Bolsonaro não sabia sobre Queiroz. Entre os que aprovam o governo, 45% acham que Bolsonaro não sabia do esconderijo de Queiroz.

Do total de entrevistados, 15% dizem não saber avaliar se Bolsonaro sabia ou não e 46% não acreditam que ele esteja envolvido no caso das “rachadinhas”. Para 38%, Bolsonaro estava envolvido e 16% não opinaram. 80% dos que apoiam Bolsonaro acham que ele não está envolvido.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *