Witzel e Bolsonaro trocam ameaças sobre o caso Marielle

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Publicado sexta-feira, 22 de novembro de 2019 as 17:54, por: CdB

Bolsonaro alega que Witzel tenta conectá-lo ao caso Marielle, por motivação política e seu ministro Sergio Moro luta para federalizar o caso.

 

Por Redação – de Brasília e Rio de Janeiro

 

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ), mandou um duro recado para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao comentar as investigações sobre a morte da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

— Eu não manipulo a polícia do Rio de Janeiro. Esse sujeito, Jair Bolsonaro, está acusando um governador do estado a manipular a policia do seu estado. A policia no nosso estado é independente. Eu não posso fazer o contrário, tentar manipular a policia para que certas pessoas não sejam investigadas. Quem não deve não teme — disse ele.

Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel foi eleito na esteira da onda conservadora que tomou o país, no ano passado

Bolsonaro alega que Witzel tenta conectá-lo ao caso Marielle, por motivação política e seu ministro Sergio Moro luta para federalizar o caso, tirando-o da alçada da polícia do Rio de Janeiro.

Briga feia

Na guerra declarada com o governo federal, o governador Witzel, também passou a disparar contra um novo inimigo: o ministro da Justiça, Sergio Moro. Nesta manhã, depois de dizer que processará o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por tê-lo acusado de manipular a polícia no caso Marielle, o governador criticou Moro por pedir abertura de inquérito contra o porteiro do condomínio Vivendas da Barra.

Em depoimento à polícia, o porteiro disse que Élcio Queiroz, um dos acusados pela morte de Marielle Franco, anunciou que ia à casa de “seu Jair”, no dia do assassinato.

— Esse inquérito instaurado, no meu ponto de vista, é indevido — atacou Witzel, que é juiz federal aposentado.

Segundo o governador, “pegaram uma testemunha para transformar em investigado por calúnia na Lei de Segurança Nacional, por obstrução de justiça e organização criminosa, que nem é o caso, porque o que está se investigando não é organização criminosa”.

— E ainda por cima o crime de falso testemunho, algo que se apura só no final, quando o juiz dá a sentença e há evidências disso — acrescentou.

Leviano

Depois de listar as barbeiragens no procedimento, apontou o responsável:

— É um inquérito requisitado pelo ministro da Justiça, a meu ver absolutamente indevido.

O governador disse que Moro faz afirmações “levianas, de que há indícios de fraudes na condução do processo”, que está em segredo de Justiça.

— Eu não tive acesso, acredito que o ministro da Justiça também não teve acesso. E se teve acesso, está falando além do que ele deveria falar. É preciso que as coisas sejam restabelecidas — resumiu.

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