À espera do Fed, dólar tem pouca variação frente ao real

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Publicado quinta-feira, 22 de agosto de 2019 as 11:09, por: CdB

Na véspera, o dólar caiu 0,50%, a R$ 4,0314, num dia de valorização de moedas emergentes em meio a apetite por risco também nos mercados de ações.

Por Redação, com Reuters – de São Paulo

O dólar mostrava pouca variação ante o real nesta quinta-feira, em meio a ajustes após duas sessões consecutivas de quedas, com agentes do mercado aguardando a fala do chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio anual de Jackson Hole na sexta-feira.

Às 10:02, o dólar recuava 0,15%, a R$ 4,0252 na venda.

Mercado aguarda a fala do chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio anual de Jackson Hole na sexta-feira

Na véspera, o dólar caiu 0,50%, a R$ 4,0314, num dia de valorização de moedas emergentes em meio a apetite por risco também nos mercados de ações.

Neste pregão, o dólar futuro tinha variação negativa de 0,05%.

Segundo o sócio fundador do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, o mercado está realizando pequenos ajustes de posições, enquanto espera pela fala de Powell na sexta-feira, já que a ata da última reunião do Fed não trouxe grandes surpresas quanto a uma mudança no posicionamento do banco central dos Estados Unidos.

– O mercado está na dúvida sobre como pode ser a reação do Fed e dos outros países. É uma tendência global os BCs do mundo cortarem juros e a preocupação está em saber o quanto eles farão isso – afirmou Laatus.

Segundo analistas da XP Investimentos, a expectativa é de que o discurso de Powell corrobore a visão do mercado de mais cortes de juros, dadas as recentes preocupações com o crescimento global e as tensões comerciais.

No geral, os mercados de câmbio globais operavam tranquilos, com o índice que compara o dólar contra uma cesta de moedas rondando estabilidade a 98,3.

Na cena doméstica, o BC vendeu todos os US$ 550 milhões em moeda física nesta quinta-feira e negociou ainda todos os 11 mil contratos de swap cambial reverso ofertados — nos quais assume posição comprada em dólar.A presidente do Federal Reserve Bank de Kansas City, Esther George, reiterou sua oposição ao corte de juros que o banco central dos EUA implementou em julho.

– Minha sensação é de que adicionamos acomodação e isso não era necessário, na minha opinião – disse George, autoridade com direito a voto no painel de definição de políticas monetárias do Fed este ano, em entrevista à CNBC divulgada nesta quinta-feira.

Ela disse anteriormente que apoiaria mudanças na política de juros do Fed caso os dados apontassem para uma economia mais fraca.

Na quarta-feira, o dólar fechou em queda pelo segundo pregão consecutivo, o que não acontecia há um mês, diante também de o Banco Central ter feito venda direta de moeda no mercado à vista pela primeira vez em dez anos.
Foram vendidos 200 milhões de dólares em moeda física, 4 mil contratos de swap cambial reverso, além de 7 mil contratos de swap tradicional. A oferta inicial de dólares das reservas era de 550 milhões de dólares.

As taxas de cupom cambial subiram, num sinal de dúvida sobre aumento de liquidez.

– Acho que o BC foi exigente demais – disse um gestor, em referência à apuração das propostas para o leilão de dólar à vista.

Para ele, sucessivas colocações parciais nesses leilões poderão pressionar mais as taxas de juros em dólar e a própria cotação da moeda.

– O BC deveria (também) anunciar a rolagem integral das linhas de dólar e, dependendo dos preços, não rolar tudo – afirmou.

As ofertas de linhas de dólares com compromisso de recompra ajudam a irrigar o mercado à vista, contribuindo para alívo nas taxas de juros em dólar. Com a venda direta (sem compromisso de recompra) de dólares no mercado pelo BC, há dúvidas sobre a postergação do vencimento das linhas.