A. Saudita pedirá saída das tropas americanas de seu território

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Publicado domingo, 9 de fevereiro de 2003 as 17:04, por: CdB

Dentro desse plano, o Governo saudita deve promover mudanças democráticas e controlar o clero conservador, que até agora tem de grande poder.

O jornal cita como fontes membros da família real saudita, que disseram que a decisão de implementar o plano foi tomada no mês passado. Eles acrescentam que o príncipe herdeiro Abdulá, que é o verdadeiro governante do país devido à doença do rei Fahd, pedirá ao presidente dos EUA, George W. Bush, a saída das tropas depois da crise iraquiana.

Após a Guerra do Golfo, em 1991, Washington deixou no Kuwait e na Arábia Saudita vários contingentes militares em diferentes bases como medida de precaução contra o Iraque.

No entanto, a presença das tropas americanas em solo saudita, onde ficam os principais lugares sagrados do Islã, desencadeou uma forte reação nos setores religiosos mais conservadores.

A presença dos militares também foi importante para a afirmação de Osama bin Laden, responsabilizado pelos EUA pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

O Governo saudita já foi muito reticente a permitir que o Pentágono usasse a base aérea Príncipe Sultão, que tem um sofisticado sistema de comando e controle construído pelos EUA, para dirigir as operações no Afeganistão em 2001-02.

Agora, Riad se negou a autorizar Washington a usar suas bases em solo saudita para um eventual ataque ao Iraque. Por isso o Pentágono ampliou uma base aérea no Catar.

Foi levada a essa base boa parte do quartel-general do Comando Central das Forças Armadas, encarregado dos planos contra o Iraque.
O New York Times diz que, quando as tropas dos Estados Unidos deixarem o solo saudita, o Governo desse país anunciará um projeto de democratização que incluiria eleições em que todos os cidadãos homens escolheriam representantes provinciais.

O processo se ampliaria durante um período de seis anos. No final, as mulheres também poderiam votar e um parlamento nacional seria eleito democraticamente.

Um príncipe saudita disse ao jornal que, se houver guerra no Iraque, será o momento de dizer que “já não há necessidade de ter as forças americanas”. Ele acrescentou que o objetivo final do plano será aumentar o apoio interno ao Governo e garantir a continuidade da dinastia.

Quinze dos 19 terroristas do 11 de setembro eram sauditas. Por isso tanto o Governo de Washington como o de Riad estão procurando formas de diminuir o apoio ao terrorismo islâmico.