A violência de Trump contra as crianças

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Publicado domingo, 24 de junho de 2018 as 15:00, por: CdB
Trump passou das medidas ao separar crianças, algumas ainda de colo, e adolescentes de seus pais, na execução de sua política contra a imigração, na fronteira dos EUA com o México. É mais uma medida desvairada que se junta  a outra, em Genebra, a decisão de sair do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, onde a presença americana tem sido um obstáculo contra os abusos, cometidos em países teocráticos e/ou de regimes autoritários que, paradoxalmente, costumam exercer postos chaves nesse organismo. Condenada imediatamente a medida truculenta de Trump contra crianças, pela comunidade internacional, poucos lembraram que, a separação de menores, filhos de emigrantes clandestinos nascidos nos EUA, de seus pais já se aplica há alguns anos nos EUA. O absurdo é que essa separação, no momento da expulsão dos pais, é justificada a pretexto de se proteger esses menores por terem a nacionalidade americana. E fica a advertência aos simpatizantes da nossa versão bolsonariana do Trump tupiniquim, que defende medidas truculentas e, ao mesmo tempo, mal preparado, para não vivermos, depois das eleições, também situações frutos da estupidez e insensatez. Reproduzimos o editorial da revista online pernambucana, Será? Penso logo duvido. (Nota do Editor, Rui Martins).
Pelo Editorial da Revista Será? Penso logo duvido, de Recife:
A truculência de Trump contra ciranças lembra Hitler e seus campos de extermínio

É cediça a observação, atribuída a Marx, de que a História não se repete, ou apenas se repete como farsa.  Mas, no momento que vivemos, cabe, na linha desta revista, a dúvida: Será?

Soubemos agora da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de recambiar para os países de origem todos os imigrantes irregulares, após processá-los e condená-los pelo “crime” de fugir da miséria, em suas pátrias, e tentar uma vida melhor, para si e para seus filhos, no “país da liberdade e da esperança”.

E o mundo todo, pelos canais de TV, viu o pungente espetáculo de crianças, aos mais sentidos prantos, sendo separadas dos seus pais, prisioneiros, e lançadas em uma creche qualquer, até o incerto dia de sua deportação, junto com eles.  Tão dolorosa foi a cena, que a própria primeira dama, com seu coração de mãe, desaprovou publicamente a medida, em tudo comparável às práticas nazistas.

Crianças judias em Auschwitz, separadas de seus pais por ordem de Hitler

Soubemos agora da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de recambiar para os países de origem todos os imigrantes irregulares, após processá-los e condená-los pelo “crime” de fugir da miséria, em suas pátrias, e tentar uma vida melhor, para si e para seus filhos, no “país da liberdade e da esperança”.

E o mundo todo, pelos canais de TV, viu o pungente espetáculo de crianças, aos mais sentidos prantos, sendo separadas dos seus pais, prisioneiros, e lançadas em uma creche qualquer, até o incerto dia de sua deportação, junto com eles.  Tão dolorosa foi a cena, que a própria primeira dama, com seu coração de mãe, desaprovou publicamente a medida, em tudo comparável às práticas nazistas.

Ora, sempre se soube da truculência e da insensibilidade do primeiro mandatário americano, lídimo representante do grupo social do seu país classificado como “wasp” (white, anglosaxon, protestant), grupo esse que não representa, salvo melhor juízo, a maioria da grande nação, uma vez que o homem foi eleito sem a maioria dos votos computados.

A menina Yanela chorando, depois de separada da mãe, é capa da revista Time

Mas não se imaginava que chegasse a tais extremos.  E o que resta, agora, à comunidade internacional, que assiste, impotente, a semelhante regressão civilizatória?  Manifestar o seu repúdio, e lamentar a teratologia do sistema eleitoral americano, de “colégios eleitorais”, que concede ao candidato que ganhe, por um voto que seja, a eleição em uma unidade federada, a totalidade dos seus “votos eleitorais”, e, já pela segunda vez, dá a vitória ao concorrente que, em termos do país como um todo, recebe menos sufrágios.

E nós, que tantas críticas temos feito às deformidades do nosso próprio sistema, que, no entanto, não abriga tal aberração?  Será que nos serve de consolo?  No mais, cogitar que o nome do carrasco das criancinhas bem poderia sofrer uma leve alteração, para Donald Tramp (Vagabundo), e que o lema que o levou à vitória eleitoral no seu país – America First – poderá passar, para comunidade internacional, ao seu inverso: America Last.

P.S Este editorial já havia sido escrito, quando Trump, pressionado pela sociedade organizada do seu país e pela reação da comunidade internacional, revogou a medida.  mas há situações consumadas de crianças separadas dos pais – inclusive crianças brasileiras – que dificilmente serão revertidas.  O juízo sobre a desumanidade do presidente da mais poderosa nação do planeta, portanto, permanece.

(Publicado originalmente na revista online Será? Penso logo duvido)

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

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