Acordo sobre a tributária é impedido por disputa de interesses

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Publicado quarta-feira, 3 de dezembro de 2003 as 19:59, por: CdB

A briga de interesses na reforma tributária criou uma guerra interna nos partidos que está dificultando o acordo político considerado indispensável para a aprovação da proposta até o final do ano.

A expectativa do governo é de que até sexta-feira seja fechado um entendimento e que a reforma seja votada dia 27 de dezembro. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, renovou a preocupação do governo com o prazo exíguo, alertando para a necessidade de prorrogação da CPMF e da DRU.

A disputa entre o líder do PMDB no Senado, senador Renan Calheiros (AL), e o relator da emenda da reforma tributária, senador Romero Jucá (PMDB-RR), já se tornou pública. O líder vem reclamando de que o colega do PMDB tem feito tudo o que o governo quer, sem consultar o partido, que, por sua vez, deseja avançar, em troca dos votos de que dispõe no Senado.

– Você não tem o direito de avançar em questões que contrariam a orientação do PMDB. Você está no cargo por indicação – disse Renan a Jucá, sem esconder sua irritação.

A cena foi presenciada por outros senadores dentro do plenário. O motivo foi a proposta de se acabar com a guerra fiscal na data da promulgação da emenda tributária, que obteve consenso hoje entre os negociadores da reform a tributária com Jucá. “Ele é relator, não é líder da bancada”, desabafou Renan em conversa com os jornalistas.

Na avaliação de senadores ligados ao líder do PMDB, sua irritação também se estende a Mercadante, que estaria tentando se fortalecer junto ao Palácio do Planalto e concentrando todas as conversas em torno da tributária, fazendo entendimentos sem consultar o maior partido da Casa.

Os conflitos entre Renan e Mercadante em torno da reforma da Previdência, principalmente do subteto salarial, també m já se tornaram públicas. E como as duas reformas polêmicas estão tramitando simultaneamente, os líderes partidários estão perdendo o controle das negociações. Outros atritos já foram constatados no âmbito do PSDB, entre o líder tucano, senador Arthur Virgílio (AM), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).