Acuado, mandatário é ameaça à democracia, afirma cientista político

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Publicado segunda-feira, 26 de julho de 2021 as 13:52, por: CdB

As ameaças dos militares à democracia somaram mais um motivo que ajudou a levar pessoas a sair às ruas para protestar contra o governo, no último sábado, por mais de 400 grandes cidades brasileiras. Apesar da entrada de Ciro Nogueira ser uma tentativa de melhorar o diálogo do governo com o Congresso, Couto afirma que pode não ser suficiente.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Para o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Cláudio Couto, não há mais sobra de dúvida que o governo Bolsonaro está cada vez mais enfraquecido. Acuado, Bolsonaro busca reforçar a aliança com o chamado ‘Centrão’ para tentar barrar os pedidos de impedimento que sobram na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O analista comparou a chegada do senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao comando da Casa Civil ao “ministério de notáveis” do governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, que visava garantir governabilidade a um governo em crise.

A tentativa de uma aliança política entre o presidente Jair Bolsonaro e setores radicais das Forças Armadas ameaça a democracia brasileira

— Cada vez mais o governo Bolsonaro se parece com o governo Collor. Bolsonaro está adotando um caminho muito parecido. Não significa que, necessariamente, teremos um impeachment. Mas mostra um governo cada vez mais enfraquecido — comparou Couto, em entrevista à agência brasileira de notícias Rede Brasil Atual (RBA), nesta segunda-feira.

O professor afirmou, ainda, que as ameaças dos militares à democracia somaram mais um motivo que ajudou a levar pessoas a sair às ruas para protestar contra o governo, no último sábado, por mais de 400 grandes cidades brasileiras. Apesar da entrada de Ciro Nogueira ser uma tentativa de melhorar o diálogo do governo com o Congresso, Couto afirma que pode não ser suficiente. O governo Bolsonaro é “tóxico”, em termos eleitorais, inclusive para os políticos integrantes do ‘Centrão’, observa.

— Até porque Bolsonaro vai seguir sendo Bolsonaro. Os problemas que ele produz, para si próprio e para a sua administração, vão continuar. Não é a ida de Ciro Nogueira que vai resolver o problema — acrescentou.

Perigoso

Mesmo diante do enfraquecimento contínuo, no entanto, Couto alerta que o governo Bolsonaro ainda tem potencial para causar danos às instituições democráticas. Ele afasta a possibilidade de uma ruptura institucional clássica, aos moldes do golpe de 1964, apesar das ameaças dos militares. Contudo, ele teme que grupos bolsonaristas possam criar um cenário de violência política durante as eleições do ano que vem.

O risco é que grupos milicianos, setores das polícias e grupos de atiradores bolsonaristas possam produzir uma “confusão imensa”. E esse risco aumenta na medida em que as chances de reeleição de Bolsonaro diminuem, de acordo com as últimas pesquisas eleitorais.

Além disso, há uma série de ataques deliberados produzidos pelo próprio governo, que vão desde a atuação desastrosa na pandemia, passando pela deterioração da imagem do Brasil no cenário internacional, até os ataques contra os povos indígenas, alvo inclusive de acusação formal de genocídio no âmbito do Tribunal Penal Internacional (TPI).

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