Acusado de ditatorial, regime Maduro promove eleições na Venezuela

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Publicado domingo, 16 de agosto de 2020 as 13:21, por: CdB

No lado da oposição, 27 partidos aglutinados em torno do deputado Juan Guaidó e seu partido, Voluntad Popular, convocaram boicote ao processo eleitoral justificando uma possível fraude.

Por Redação, com BdF – de Caracas

Está aberto, até o próximo 19 de agosto, a temporada de inscrição dos candidatos e listas de partidos que vão concorrer às eleições legislativas do dia 6 de dezembro na Venezuela. Os partidos, tanto do campo conservador, como do lado progressista já começam a formar alianças eleitorais. Ao todo, 107 organizações estão habilitadas para disputar as 277 cadeiras da Assembleia Nacional; dessas, 52% serão escolhidas por listas dos partidos e 48% por voto nominal.

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro convoca eleições parlamentares para o próximo dia 19 deste mês

No lado da oposição, 27 partidos aglutinados em torno do deputado Juan Guaidó e seu partido, Voluntad Popular, convocaram boicote ao processo eleitoral justificando uma possível fraude. A decisão foi publicamente apoiada pela administração Trump.

No entanto, o anúncio desatou uma crise dentro dos maiores partidos da oposição (Primero Justicia e Acción Democrática), depois que deputados de Estados do interior e militantes de base insistiram na importância do processo eleitoral, chegando a denunciar as direções das suas próprias organizações na justiça, exigindo que a democracia partidária fosse respeitada.

Igreja Católica

Paralelamente, o Movimento para Socialismo (MAS), um dos partidos que compõe a Mesa de Diálogo Nacional, tenta reanimar uma aliança unitária dos setores de direita e centro-direita, como ocorreu até o ano de 2015, com a Mesa de Unidade Democrática (MUD).

— Estamos conversando com os partidos da Mesa de Diálogo, Acción Democrática, COPEI, Primero Justicia, Voluntad Popular, com todos aqueles que disseram que poderiam participar. E assim que tivermos um acordo, pretendemos conversar com o abstencionistas para que eles vejam que existe a possibilidade de um acordo. O primeiro que devemos garantir é a unidade, sem isso vai ser muito difícil — afirmou o secretário geral do MAS, Felipe Mujica.

A igreja Católica, historicamente contrária ao chavismo, também se manifestou. A Conferência Episcopal da Venezuela se pronunciou e convocou “a vocação democrática do povo venezuelano para assumir, com normalidade, a via eleitoral, como a maneira pacífica e racional de estabelecer uma rota política consensuada”.

Imperialismo

O atual período legislativo, composto por 70% de opositores, atua em desacato à justiça venezuelana, já que empossaram deputados que tiveram sua candidatura impugnada. Depois disso, o deputado Juan Guaidó ainda criou uma sessão paralalela da Assembleia Nacional, após não ter sido reeleito presidente do Legislativo, em janeiro desse ano.

“Do ponto de vista político, esse processo eleitoral é importante porque poderá restituir o que chamamos de Parlamento. A Assembleia Nacional que está saindo foi destruída pelo governo, pelas coisas que tentou fazer e por aqueles que a comandavam”, comenta Mujica.

Para o deputado e membro do comitê central do Partido Comunista da Venezuela, Yul Jabour, a paralisia da Assembleia fazia parte dos planos desestabilizadores da direita venezuelana.

— A Assembleia Nacional se prestou como plataforma para impulsionar todas as políticas contrárias à Nação, para dar justificativa legal à agressão multifacetada do imperialismo contra a Venezuela. E, é claro, um dos elementos que utilizaram foram esses partidos, que elevaram a confrontação dentro do poder público, com a intenção de gerar o caos, uma crise institucional, e abrir espaço para uma confrontação que poderia gerar uma guerra civil e que justificaria uma intervenção estrangeira no nosso país — analisa.

Capitalista

O PCV é um dos partidos do campo da esquerda que começará a disputar as eleições contra o governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Junto ao Partido Pátria para Todos (PPT), Esquerda Unida e Luta de Classes anunciaram a Aliança Popular Revolucionária, que entre outros objetivos, busca desligar-se do Grande Pólo Patriótico – coalizão eleitoral chavista, liderada pelo PSUV.

— A perspectiva do PCV é que essa proposta possa aglutinar um setor amplo que fortaleça a unidade operária, camponesa, comunitária e popular. Estamos trabalhando com as comunas, com sindicatos, com operários em todo o país para que todos conformem essa proposta. A ideia não é que o PCV, o PPT ou outro partido utilizem uma técnica para hegemonizar essa alternativa, mas que seja um ambiente de amplo debate, que possa reunir esses setores revolucionários e anti-imperialistas — afirma Jabour.

Aliança

Para os representantes da nova Aliança é necessário encontrar saídas revolucionárias para a crise econômica do sistema capitalista.

— Elementos fundamentais dessa aliança: nós identificamos como inimigo número 1 do povo venezuelano o imperialismo norte-americano e europeu — comenta o deputado do PCV.

Para Ilenia Medina, deputada do PPT, as proposições do campo da esquerda têm um caráter construtivo, porque passam pelas críticas internas de cada organização e buscam fortalecer o exercício democrático.

— Na Venezuela, há uma democracia profunda, profunda. Para nós, a democracia não é apenas o voto, mas a participação protagonista na tomada de decisões, na qual os trabalhadores, os comuneiros têm participação. Aqui, inclusive, tentam assassinar o presidente e não acontece nada. Esta é uma democracia excessivamente livre, como disse o Lula em outra oportunidade. Nem remotamente acreditamos que aqui existe uma ditadura, mas há que revigorar o processo revolucionário nas atuais circunstâncias — afirmou Medina.

A administração de Nicolás Maduro, criticada pela direita e por parte da esquerda venezuelana, tem garantido as condições necessárias para um debate eleitoral aberto.