Adeptos de Bolsonaro chamam mulheres de ‘cadelas’

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Publicado segunda-feira, 24 de setembro de 2018 as 15:48, por: CdB

“Para as feministas, ração na tigela. As minas de direita são as top mais belas, enquanto as de esquerda têm mais pelo que as cadelas”, diz um trecho da letra de uma paródia do funk Baile de Favela, do MC João.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Na marcha em apoio ao candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), neste domingo, o ponto alto foi a paródia da música Baile de Favela, do funkeiro MC João. A letra compara a cadelas as mulheres que se opõem ao político e vêm se articulando nas redes sociais utilizando a hashtag #elenão.

Na Praia da Boa Viagem, em Recife, adeptos do neofascismo ofenderam mulheres e adversários
Na Praia da Boa Viagem, em Recife, adeptos do neofascismo ofenderam mulheres e adversários

“Para as feministas, ração na tigela. As minas de direita são as top mais belas, enquanto as de esquerda têm mais pelo que as cadelas”, diz um trecho da letra. O ato, chamado Marcha da Família com Bolsonaro, foi realizado na praia de Boa Viagem em Recife.

A música ainda cita outras mulheres com atuação política como Maria do Rosário (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e Luciana Genro (Psol), sempre de maneira depreciativa. Religiosos e militantes do movimento Vem Pra Rua participaram do ato.

Mulheres têm se mobilizado nas redes contra os posicionamentos machistas dos candidatos há duas semanas. Um grupo que se opõe ao candidato no Facebook chegou a reunir dois milhões delas e foi hackeado, tendo seu nome alterado por apoiadores do candidato.

Ameaças

Se não bastasse a ofensa à mulheres de esquerda, a candidata a vice na chapa do PT, Manuela D’Ávila (PCdoB), tem sido alvo da pestilência com que se comportam os seguidores do candidato neofascista. Nesta segunda-feira, ela entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo que a Polícia Federal (PF) passe a fazer sua segurança. Manuela teme atos de represália em razão de mensagens divulgadas em redes sociais que a acusam de ter ligação com o esfaqueador do candidato do PSL à Presidência.

Na petição, as defesas de Manuela e da coligação apresentam mensagens em redes sociais com notícias falsas dizendo que a candidata teria entrado em contato com Adélio Bispo. Ele teria, supostamente, esfaqueou Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) em 6 de setembro.

Segundo as publicações, existiriam registros telefônicos entre Manuela e Adélio no período das 6h às 15h no dia do ataque a Bolsonaro. A PF, porém, já indicou que o esfaqueador agiu sozinho e as informações divulgadas não passam de notícia falsa.

Manifesto

Em virtude das agressões às mulheres e a disseminação descontrolada de notícias falsas, nas redes sociais, um grupo que inclui artistas, advogados, ativistas e empresários lançou, no fim da tarde passada, um manifesto contra a candidatura do deputado neofascista. O documento, intitulado “Pela democracia, pelo Brasil”, não indica, mas afirma ser necessário um movimento contra o projeto antidemocrático do candidato do PSL. Os signatários alertam que um eventual governo do candidato de extrema-direita representa retrocesso para o país.

O documento, afirma que “a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”. O texto afirma ainda que o Brasil vive um “momento de crise” e que “é preciso ter a clareza máxima da responsabilidade histórica das escolhas que fazemos”.

“Nunca é demais lembrar, líderes fascistas, nazistas e diversos outros regimes autocráticos na história e no presente foram originalmente eleitos, com a promessa de resgatar a autoestima e a credibilidade de suas nações, antes de subordiná-las aos mais variados desmandos autoritários”, diz um trecho do documento.

Lista

O manifesto reconhece a diversidade entre os que o assinam e afirma: “nisso, estamos no terreno da democracia, da disputa legítima de ideias e projetos no debate público” e conclama a “união contra o retrocesso”.

Até o fechamento desta matéria, a carta era assinada por artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Patrícia Pillar; Camila Pitanga, Fernanda Torres, Arnaldo Antunes; Wagner Moura, Gregório Duvivier, Antonio Nobre, Alice Braga; Andreia Horta e Mano Brown; personalidades esportivas como Ana Mozer, Casagrande e Juca Kfouri.

Assinaram, ainda, os escritores e professores Luiz Felipe Alencastro, Lilia Schwarcz, Maria Victória Benevides, Esther Solano, Milton Hatoum, Fernando Morais, Renato Janine Ribeiro e também a cartunista Laerte; o diretor do Dieese Clemente Ganz Lucio, a educadora e acionista do Itaú Unibanco Maria Alice Setúbal; os economistas Bernard Appy e Andrea Calabi, o empresário Guilherme Leal, sócio da Natura; e o médico Drauzio Varella, entre muitos outros. A lista que já reúne mais de 400 nomes.

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