Adiantar debate sobre 2022 é ‘casca de banana’ da direita, alerta Amaral

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Publicado segunda-feira, 22 de março de 2021 as 16:38, por: CdB

Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, menciona três prioridades que, em sua opinião, deveriam concentrar as energias da centro-esquerda do país.

Por Redação – do Rio de Janeiro

A discussão sobre a eleição presidencial de 2022 não deve ser a principal pauta em debate pelos setores progressistas do país no momento. Trata-se de “uma casca de banana que a direita e o centro estão colocando para a esquerda pisar, escorregar e cair”. A avaliação é do cientista político e ex-presidente do PSB Roberto Amaral.

O ex-ministro Roberto Amaral destaca a ausência de uma liderança clara no campo conservador

— Discutir candidatura agora só serve para nos dividir cada vez mais, açular as fogueiras de vaidades e nos desviar das questões centrais e imediatas que condicionam inclusive o pleito de 2022 — afirmou.

Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia, menciona três prioridades que, em sua opinião, deveriam concentrar as energias da centro-esquerda do país.

— O combate do momento é a defesa da vida. A segunda prioridade é a defesa do emprego. E a outra, o combate ao bolsonarismo. Se ficar discutindo agora se vai ser Lula, Ciro, Boulos, Joaquim, Manoel… É isso que o governo quer, que a gente deixe de fazer oposição — acrescentou.

Lava Jato

O ex-presidente do PSB lembra que há pendências no Supremo Tribunal Federal relativas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Não temos nem garantia de que Lula poderá ser candidato — adverte.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entrou com recurso contra a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações do petista pela Operação Lava Jato.

Inquérito

O recurso da PGR será julgado pelo plenário, mas provavelmente somente depois que a Segunda Turma terminar a análise da suspeição do ex-juiz Sergio Moro. O julgamento está empatado em 2 votos a 2 e foi suspenso por pedido de vista do ministro Nunes Marques, indicado ao Supremo pelo presidente Jair Bolsonaro para a vaga de Celso de Mello.

— Não temos nenhuma razão para confiar na Justiça. Temos que nos mobilizar. Não sabemos quando essa questão será julgada. Esse ministro  pode segurar o caso por dois anos — alerta o ex-dirigente socialista.

Com a decisão de Fachin de declarar a incompetência do ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, o caso foi enviado para a Justiça Federal de Brasília. O novo magistrado pode anular ou aceitar o inquérito. A validade das provas contra Lula usadas por Moro depende de o então juiz ser declarado suspeito ou não. Se a suspeição for confirmada, as provas serão “imprestáveis”, como diz o jargão jurídico. Caso contrário, caberá ao novo juiz decidir se elas valem ou não.

Sem foco

Se Lula e Bolsonaro despontam hoje com potencial de ir ao segundo turno em 2022, com o ex-ministro e governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) correndo por fora, não há nenhum nome da centro-direita ou direita que se possa mencionar como competitivo no momento. Mergulhado em divisões internas, o PSDB, por exemplo, que em 2018 fracassou com o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, parece fora do páreo.

O vácuo no espectro centro-direitista é claro, posiciona-se Amaral.

— A direita se suicidou em 2018. Optou pela extrema-direita, pelo capitão, principalmente o PSDB. Mas hoje está sem quadros, não tem linha, quer fazer oposição a Bolsonaro mas vota com ele (na agenda econômica). Não tem norte. A população que apoia o governo não identifica o PSDB, e a que está contra o governo também não. Estão limbo, e não vão sair — ressalta.

Ciro Gomes, ainda segundo analistas, parece estar sem foco sobre qual seria seu eleitorado.

— Ele está perdido em termos de qual eleitorado está buscando. Tenta acenar para o antipetismo, mas o que sobrou do antipetismo está muito mais à direita, e esse antipetismo tem muita desconfiança do Ciro. Então ele fica em posição contraditória: tem que acenar com uma agenda progressista e ao mesmo tempo dialogar com o antipetismo, que tem uma agenda reacionária — resume Marco Antonio Rocha, economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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