Adolescente indígena é assassinada no Rio Grande do Sul

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Publicado sexta-feira, 6 de agosto de 2021 as 14:12, por: CdB

A crueldade do assassinato de uma jovem mulher indígena, de apenas 14 anos, no município de Redentora, no Rio Grande do Sul, suscitou diversas manifestações de repúdio. O crime foi cometido na última quarta, mas somente na quinta-feira foi identificado o corpo de Daiane Griá Sales. 

Por Redação, com ABr – de Brasília

A crueldade do assassinato de uma jovem mulher indígena, de apenas 14 anos, no município de Redentora, no Rio Grande do Sul, suscitou diversas manifestações de repúdio. O crime foi cometido na última quarta, mas somente na quinta-feira foi identificado o corpo de Daiane Griá Sales.

Jovem da etnia Kaingang se chamava Daiane Griá Sales e morava na Terra Indígena do Guarita

A adolescente estava em uma lavoura, próxima a um mato, nua e com as partes inferiores (da cintura para baixo) dilaceradas. Ela tinha hematomas pelo corpo. A jovem foi encontrada por um agricultor na Linha Posse Ferraz, vizinho ao Setor Estiva.

A Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) lançou um manifesto de repúdio e denúncia do crime.

“Temos visto dia após dia o assassinato de indígenas. Mas, parece que não é suficiente matar. O requinte de crueldade é o que dilacera nossa alma, assim como literalmente dilaceraram o jovem corpo de Daiane, de apenas 14 anos. Esquartejam corpos jovens, de mulheres, de povos. Entendemos que os conjuntos de violência cometida a nós, mulheres indígenas, desde a invasão do Brasil é uma fria tentativa de nos exterminar, com crimes hediondos que sangram nossa alma. A desumanidade exposta em corpos femininos indígenas, precisa parar!”, afirmam.

A jovem da etnia Kaingang morava no Setor Bananeiras da Terra Indígena do Guarita. A ANMIGA informa também que a jovem foi encontrada em uma lavoura, região onde haviam árvores. Existe a suspeita de que tenha sido um crime de ódio, devido ao estado do corpo, porém, existe a possibilidade de animais necrófagos terem agido no local.

“Não deixaremos passar impune e nem nos silenciarão. Lutamos pela dignidade humana, combatendo a violência de gênero e tantas outras violações de direitos. As violências praticadas por uma sociedade doente não podem continuar sendo banalizadas, naturalizadas, repleta de homens sem respeito e compostura humana, selvageria, repugnância e macabrismo. Quem comete uma atrocidade desta com mulheres filhas da terra, mata igualmente a si mesmo, mata também o Brasil”, reivindicam no manifesto.

Levante Feminista do RS também se manifestou

A Campanha Levante Feminista contra o Feminicídio no RS, que implementa a campanha Nem Pense em Me Matar, também denunciou o crime, reforçando que este pode ser o 50° feminicídio ocorrido este ano no Rio Grande do Sul.

“Precisamos nos levantar, elevar nossas vozes e indignação, para exigir que este crime seja apurado e seus responsáveis identificados. A impunidade e a normalização das mortes das mulheres está transformando tragédias em fatos comuns de nossas vidas”, reforça a nota.

O Levante reforça ainda que “justamente quando a Lei Maria da Penha completa 15 anos de existência, e quando exigimos que a Lei do Feminicídio seja efetivamente implementada, somos uma vez mais desafiadas a continuar lutando – denunciando, dialogando com a sociedade, exigindo do poder público todas as medidas para prevenir, punir e eliminar a violência contra as mulheres”.

A deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) também se manifestou a partir do seu Twitter. “Quanta brutalidade contra uma jovem indígena aqui no RS! Isso precisa ser investigado e punido. Minha solidariedade à sua família e à sua comunidade. Todos e todas nós somos atingidos por essa tragédia!”

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