Advogado não quer filhos de casal Staheli na reconstituição do crime

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Publicado terça-feira, 9 de dezembro de 2003 as 10:32, por: CdB

Nem os filhos do casal americano Zera Todd e Michelle Staheli, assassinados em 30 de novembro, nem o casal de amigos Carolyn e Jeffrey Turner deverão participar da reconstituição do crime, marcada para a próxima quarta-feira. Os Turner, chamados pela filha mais velha dos Staheli, de 13 anos, foram as primeiras pessoas a entrar na casa depois do crime.

O advogado das crianças, João Mestieri, afirmou que “ninguém pode ser obrigado a produzir provas contra si mesmo”. Ele disse não ter recebido intimação para que o menino de 10 anos e a garota de 13 presenciem a reconstituição. O casal tinha ainda duas filhas, de três e oito anos.

“Quero conversar com o delegado [Marcus Henrique Alves]. Vou pedir que ele me explique o sentido da intenção de convocá-los. São duas crianças que precisam ser preservadas, não vejo o porquê da participação delas nessa reconstituição”, afirmou.

Após a conversa com o delegado, o advogado deverá decidir se as crianças estarão na reconstituição, que começará às 8h na casa em que a família vivia, no condomínio Porto dos Cabritos (Barra da Tijuca, zona oeste).

Ao contrário do que anunciara, Mestieri não entregou à polícia os pijamas que as crianças usavam na noite do crime. Os peritos querem saber se há manchas de sangue nas roupas.

Intimados

De acordo com o advogado Fernando Fragoso, o casal Turner viajou sábado para os Estados Unidos e não participará da reconstituição. O casal depôs na sexta-feira à Justiça.

Segundo Fragoso, a viagem, de férias, estava marcada antes do assassinato. O advogado disse só ter recebido na tarde desta segunda-feira a intimação para que eles participem da reconstituição e avisará ao delegado que viajaram.

O motorista dos Staheli, Sebastião Moura, não recebeu ainda a intimação, de acordo com o advogado Márcio Feijó.

Os cinco seguranças do condomínio que entraram na casa depois do assassinato foram intimados e vão participar da reconstituição.

Crime

Todd Staheli, executivo da Shell, e sua mulher foram golpeados na cabeça, enquanto dormiam, por um objeto que poderia ser uma machadinha ou uma tesoura de jardineiro, segundo a polícia. Foram encontrados agonizando pelo filho de dez anos, às 6h30 do dia 30. Staheli morreu logo depois; a mulher ficou internada em coma profundo e morreu dia 4 no hospital Copa D’Or.

Em depoimento à Justiça, na última sexta-feira, a filha mais velha do casal disse que levou para a cama dela a irmã de três anos, que dormia entre as pernas do pai. Ela também contou ter retirado o travesseiro que cobria o rosto do pai.

O filho de 10 anos dos Staheli disse que a machadinha, comprada na Escócia, lhe pertence e que, na véspera do crime, mostrou-a a amigos que visitaram a casa, guardando-a depois em seu armário. Na manhã do crime, a machadinha foi encontrada no banheiro da suíte da adolescente.

Tanto a menina quanto seu irmão foram impedidos pelo juiz Guaraci Vianna, da 2ª Vara da Infância e da Adolescência do Rio, de deixar o país. A reconstituição do assassinato do casal foi marcada para a próxima quarta-feira, e eles devem acompanhar os trabalhos.