Advogados da massa falida descobrem fundo milionário de Eike Batista

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Publicado quinta-feira, 24 de junho de 2021 as 14:58, por: CdB

O dinheiro estava escondido sob várias contas de investimento, e agora é disputado pelos administradores das falências de empresas do extinto grupo X. As debêntures foram adquiridas pelo empresário como parte do pagamento da Anglo Americam, na compra do complexo Minas-Rio, em 2008, numa operação bilionária.

Por Redação – de São Paulo

O ex-bilionário Eike Batista, preso e com a maioria de seus bens disponíveis em processos de falência, teve uma de suas reservas financeiras descobertas pela Associação Brasileira de Investidores (Abradin). Investigadores jurídicos encontraram um fundo de investimentos do empresário com debêntures estimadas em US$ 150 milhões (R$ 750 milhões).

Empresário já foi preso, após condenado por fraudes financeiras bilionárias, e hoje gerencia os processos judiciais sobre a massa falida

Os recursos estavam escondidos sob várias contas de investimento, e agora são disputados pelos administradores das falências de empresas do extinto grupo X. As debêntures foram adquiridas pelo empresário como parte do pagamento da Anglo Americam pela compra do complexo Minas-Rio, em 2008, numa operação de US$ 5,5 bilhões (R$ 27,5 bilhões a preços de atuais).

Hoje, os títulos estão em posse de uma empresa registrada como ‘NB4’, e seria a última instância em uma estrutura de investimentos de três camadas e, por isso, desconhecida tanto pelos minoritários quanto pelos administradores das massas falidas das empresas do grupo.

Investimentos

Presidente da Abradin, Aurélio Valporto disse aos repórteres do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), nesta quinta-feira, que as investigações começaram depois que a gestora de investimentos Brasil Plural pediu o desbloqueio de um fundo chamado Mercatto Botafogo, que havia sido bloqueado no processo de falência da MMX Sudeste.

— Isso deixou claro para a Abradin que devia haver algo valioso abaixo do Mercatto Botafogo, algo que não se tinha conhecimento — relatou.

Em parceria com o escritório Krykor Kaysserlian Advogados Associados, a instituição buscou informações em juntas comerciais e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os investigadores descobriram, então, que o Mercatto Botafogo controlava outro veículo de investimentos, o Botafogo FIP. Este, por sua vez, controlava a NB4. Essa empresa não estava bloqueada nos processos de falência e foi entregue ao síndico da massa falida da MMX Sudeste.

Cobrança

“Após a descoberta do fundo, porém, o síndico de outra falência do grupo, da MMX Mineração e Metálicos, pediu à Justiça informações sobre as debêntures, com o objetivo de incluí-las na massa falida que administra. Na petição, diz que as debêntures foram avaliadas em R$ 112 milhões na época da emissão e cita documento de 2017 na qual a Anglo estima que valham US$ 88 milhões (R$ 440 milhões em valores de hoje)”, acrescenta a FSP.

As dívidas de R$ 600 milhões calculadas durante a recuperação judicial são apenas uma parte dos processos contra a MMX Mineração e Metálicos, que é alvo da cobrança de R$ 3,4 bilhões da Receita Federal.

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