Aécio Neves fica mais atolado em inquérito sobre obras em Minas Gerais

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Publicado quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018 as 16:27, por: CdB

O depoimento de um ex-funcionário da Odebrecht à Polícia Federal (PF) acusa o senador Aécio Neves — já envolvido em outros processos criminais — de receber propina das empreiteiras contratadas para as obras da Cidade Administrativa.

 

Por Redação – de Belo Horizonte

 

Candidato derrotado à Presidência da República e destituído do cargo majoritário na Comissão Executiva Nacional do PSDB, o senador Aecio Neves (MG) está um passo mais para dentro da investigação federal que apura o desvio de recursos públicos na construção da Cidade Administrativa de Minas Gerais. O conjunto de prédios teria sido superfaturado, segundo apura o Ministério Público.

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O depoimento de um ex-funcionário da Odebrecht, vazado para a mídia conservadora nesta quinta-feira, à Polícia Federal (PF), acusa o senador — já envolvido em outros processos criminais — de receber propina das empreiteiras contratadas para as obras. O ex-executivo não fechou acordo de delação premiada. Ex-coordenador de execução de um lote, Carlos Berardo Zaeyen afirmou à PF, em 20 de novembro, que o consórcio responsável por esse trecho do empreendimento — formado por Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão — firmou dois contratos. Na prática, estes serviriam apenas para justificar o repasse de dinheiro ao tucano.

Zaeyen depôs no inquérito que apura as suspeitas de pagamentos irregulares ao senador Aécio Neves (PSDB), governador do Estado à época da obra, por parte das empreiteiras. Zaeyen era subordinado ao diretor da Odebrecht Sérgio Luiz Neves, que fez acordo de delação e revelou como funcionava o esquema corrupto.

O funcionário da empreiteira disse, ainda, não ter tomado conhecimento sobre o acerto de propina que teria sido feito por seus superiores. Responsável por fazer relatórios mensais, ele contou ter assinado os contratos com as construtoras Cowan e Alicerce “por confiança em seu diretor”.

Lista de Furnas

A Cidade Administrativa já foi citada por delatores da Odebrecht. Trata-se de uma obra em que teria havido um acerto entre as empreiteiras e Aécio Neves; para definir os consórcios vencedores. A contrapartida, apuram os investigadores; seria o pagamento de 3% do valor total do contrato em propinas para o senador mineiro.

Aécio Neves também responde na Justiça a um inquérito; em aberto, sobre a Lista de Furnas, como ficou conhecido o escândalo que atingiu a estatal. No Rio de Janeiro, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) e outras seis pessoas figuram como réus por conta do esquema. O ex-diretor da empresa Dimas Toledo e outras duas pessoas não foram incluídos. À época, tinham mais de 70 anos. Para eles, os crimes já prescreveram.

Operação Lava Jato, em um inquérito ordenado no gabinete do ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal (STF); apura a participação do ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Ex-tucano que migrou para o PT, Amaral aponta o senador Aécio Neves como um dos integrantes da quadrilha. Na condição ainda de suspeito, o presidente do PSDB nega a participação na drenagem de recursos da empresa pública.

O publicitário Marcos Valério, pivô do escândalo conhecido como ‘mensalão’; também teria demonstrado interesse em promover uma delação em âmbito nacional.

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