Agência investiga supostos ataques com gás cloro na Síria

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Publicado terça-feira, 27 de fevereiro de 2018 as 13:03, por: CdB

A investigação surge logo depois de a Rússia ter ordenado a criação de um corredor humanitário e de uma trégua diária de cinco horas

Por Redação, com Reuters – de Amsterdã:

A agência mundial de controle de armas químicas está investigando ataques recentes na região síria sitiada de Ghouta Oriental, controlada por rebeldes, para determinar se munições proibidas foram usadas, disseram fontes à agência inglesa de notícias Reuters.

Os militares da Rússia acusaram, nesta terça-feira, rebeldes da região síria de Ghouta de dispararem tiros

Sediada em Haia, a Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq); iniciou no domingo uma investigação sobre relatos de uso recorrente de bombas com gás cloro neste mês no distrito próximo da capital da Síria; disseram fontes diplomáticas à Reuters.

Neste mês líderes políticos de França, Estados Unidos e Reino Unido disseram; que apoiarão ações militares pontuais contra Damasco se houver provas de que forças sob o comando do presidente sírio, Bashar al-Assad, usaram armas químicas.

A investigação surge logo depois de a Rússia ter ordenado a criação de um corredor humanitário e de uma trégua diária de cinco horas para permitir que os moradores deixem Ghouta Oriental; onde 400 mil pessoas estão sujeitas a um cerco e bombardeios.

Entre os ataques que a equipe investigativa da Opaq examinará está um realizado no domingo; que autoridades de saúde locais disseram ter matado uma criança e provocado sintomas indicadores de exposição ao gás cloro, segundo as fontes.

A Opaq não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

As fontes falaram sob condição de anonimato por não terem permissão de debater a operação publicamente.

O uso de gás cloro como arma química foi proibido pela Convenção de Armas químicas de 1997. Se inalado, ele se transforma em ácido clorídrico nos pulmões; e o acúmulo de fluidos pode sufocar as vítimas.

Opaq

A missão mais recente da Opaq está tentando determinar se armas químicas foram usadas; violando a convenção internacional de armas que a Síria assinou em 2013 depois; que centenas de pessoas morreram em um grande ataque com gás sarin em Ghouta Oriental.

A Opaq, porém, não aponta culpados.

Sua equipe não pretende viajar a Ghouta Oriental por causa dos temores com a segurança; duas visitas anteriores feitas por inspetores em 2013 e 2014 foram alvos de ciladas; mas reunirá testemunhos, provas fotográficas e de vídeo e entrevistas com especialistas médicos.

O uso de armas químicas se tornou sistemático na guerra síria de sete anos; mas diferenças políticas entre potências estrangeiras e a Rússia paralisaram a Opaq e a Organização das Nações Unidas (ONU), impedindo ambas de agir contra violações da lei internacional.