E agora… Diretas já?

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Publicado sexta-feira, 25 de maio de 2018 as 14:52, por: CdB

Dilma Rousseff não foi respeitada, e, antes dela, 54 milhões de brasileiros. Foi, ao preço de rasgarem-se a Constituição; o Estatuto do Estado de Direito, os princípios de um regime democrático.

 

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

Em primeiro momento, foi a presidenta Dilma Rousseff quem anunciou: reconduzida ao lugar em que foi posta pelo povo, consultaria o povo brasileiro sobre a antecipação das eleições gerais agendadas para 2018. Tendo rompido a bolha com que a envolveram os áulicos de Palácio, foi ao povo; conviveu e ouviu.

Maria Fernanda Arruda
Maria Fernanda Arruda é colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

E retornou, contando das críticas duras que ouviu. Admitindo erros sérios, considerou que, estando a ser impugnada pela oposição por rejeição ao “conjunto de sua obra”; aceitaria a precipitação de novas eleições. Isso, caso desejado pelos cidadãos.

Seria uma forma de pacificação dos ânimos, a recriação das condições para governo; que lhe subtraíram os inconformados por mais uma derrota eleitoral.

Segundo golpe

Dilma Rousseff não foi respeitada, e, antes dela, 54 milhões de brasileiros. Foi, ao preço de rasgarem-se a Constituição; o Estatuto do Estado de Direito, os princípios de um regime democrático; deposta por um Congresso formado, sabidamente, por corruptos e analfabetos funcionais.

E, como foi violentada na sua autoridade; não cabe mais que se lembrem as suas palavras, como se fora uma proposta a valer a qualquer tempo e sob quaisquer condições. Sejamos claros e honestos. A pura e simples antecipação das eleições é um segundo golpe, um segundo desrespeito à Ordem Constitucional; com o efeito trágico de validação do primeiro, a sua aceitação; o esquecimento de que se criou a ordem urdida pelos canalhas.

Mas, se não tão lógicos e claros, poderíamos aceitar essa solução de compromisso; como remédio que pacificaria os ânimos, fazendo com que brasileiros — os respeitáveis e os acanalhados —; passassem a se dar as mãos?

‘Bom senhor’

A possibilidade, que foi admitida até mesmo por Mino Carta, vale como voto de intenção; vontade de que seja restabelecida a ordem e a concórdia. Pode-se restabelecer o que nunca existiu?

A ‘Casa Grande’ jamais concordou com a senzala; apenas a animalizou e explorou. É certo que se criaram mitos, a imagem do tipo “cordial”, a escravidão humanizada pelo sentimento “cristão”.

O mito do “bom senhor do escravo”não mais é apenas mentiroso. Hoje é ridículo. Diante da possibilidade de ter as suas regalias contestadas, as elites nacionais buscaram abrigo onde? No fascismo perfeito e acabado; violento, dogmático, o que faz do pavor a justificativa para o terror.

Será de “bom tom” caminharmos, lado a lado, com criminosos; como Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso; Jose Serra? É essa a concórdia que interessa ao país e o levará a algum espaço decente na História dos Povos?

Patriarca

O povo brasileiro foi ensinado por suas elites à covardia do acomodamento, da continuidade, para que não se enfrente o desafio do que não se experimentou ainda. A História do Brasil, orientada pelo continuísmo, pelo não rompimento; conduzida pelas conversações, negociações, ajustes e acordos; fica abaixo da linha da mediocridade. E chega aos limites da covardia acomodada.

Cultivamos, ainda, um 7 de Setembro, como data da Independência que o colonizador nos deu. Quem foi Jose Bonifácio, o Patriarca desse arremedo? José Bonifácio, o Patriarca dessa Independência; homem que de fato frequentou por pouco tempo o Brasil, preocupado que esteve em estudar diversas ciências na Europa.

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do jornal Correio do Brasil.

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