AGU pede que PGR investigue citação do nome de Bolsonaro em caso Marielle

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Publicado quinta-feira, 31 de outubro de 2019 as 10:57, por: CdB

O objetivo da AGU é “averiguar a prática de ato de improbidade administrativa por agente público e eventuais partícipes”.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue o vazamento relacionado ao porteiro do condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro tem casa no Rio de Janeiro, no qual afirmou que um dos acusados da morte da vereadora Marielle Franco entrou no local dizendo que ia à residência do presidente, então deputado federal.

O advogado-geral da União, André Mendonça, lembra que a investigação sobre o assassinato de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes, corre em segredo de Justiça
O advogado-geral da União, André Mendonça, lembra que a investigação sobre o assassinato de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes, corre em segredo de Justiça

No documento, o advogado-geral da União, André Mendonça, lembra que a investigação sobre o assassinato da vereadora do PSOL e de seu motorista, Anderson Gomes, em março do ano passado corre em segredo de Justiça. O depoimento do porteiro foi revelado em uma reportagem do telejornal da emissora de televisão conservadora carioca, Rede Globo, na noite de terça-feira.

Mendonça argumenta que a possível participação de agentes públicos no vazamento pode implicar em improbidade administrativa e que a citação a Bolsonaro pode ferir a Lei de Segurança Nacional, que prevê que é crime “caluniar ou difamar” o presidente da República.

“Determino ao procurador-geral da República promover a instauração de procedimento prévio para coleta de informações a fim de averiguar a prática de ato de improbidade administrativa por agente público e eventuais partícipes”, afirma o documento assinado pelo AGU.

De acordo com o depoimento do porteiro, Élcio Queiroz —acusado de dirigir o carro usado no assassinato de Marielle— entrou no condomínio dizendo que ia à casa de Bolsonaro e teve a entrada autorizada pelo “seu Jair”. Queiroz, no entanto, teria se dirigido à residência de Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson e que mora no mesmo condomínio de Bolsonaro.

Em resposta à reportagem, Bolsonaro negou ter autorizado a entrada de Lessa e atacou a emissora carioca, acusando a emissora de constantemente infernizar sua vida, além de acusar o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), de ter vazado a investigação, o que o governador negou.

Porteiro mentiu, disse MP-RJ

Na quarta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro disse nesta quarta feira que o porteiro do condomínio em que o presidente Jair Bolsonaro tem casa na capital fluminense mentiu no depoimento em que afirmou que um dos acusados do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) entrou no local afirmando que iria para a casa do presidente, então deputado federal.

– Ele mentiu – disse a promotora Simone Sibílio, do MP fluminense, em entrevista coletiva.

– As testemunhas prestam depoimento e o MP checa. Nada passa sem ser checado… qualquer testemunha que mente, seja porteiro ou qualquer outro, pode ser processado – afirmou.

– Nós detectamos que quem atende essa ligação (do interfone da portaria do condomínio) não é a autoridade com foro de prerrogativa de função (Bolsonaro) – disse a promotora.

– A informação dada pelo porteiro não é compatível com a prova pericial… não há compatibilidade entre os depoimentos do porteiro e a prova pericial. A pessoa que autoriza a entrada é Ronnie Lessa e qualquer afirmação que difere disso é equivocada e não guarda coerência com a prova técnica – completou.

Jornalista diz que não há interfone no condomínio

De acordo com o jornalista Luis Nassif o condomínio onde mora Jair Bolsonaro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, não tem interfone. Em entrevista ao Jornal GGN, Nassif disse que “o condomínio abriu mão de interfones, por ser caro e por problemas de instalação. Optou-se por telefonar ou para o celular ou para o telefone fixo de cada proprietário”.

Ainda de acordo com o jornalista, “no caso de Bolsonaro, as ligações são para o próprio celular de Bolsonaro. E é ele quem atende. O que significa que a versão do porteiro não era descabida. Ou seja, o fato de estar em Brasilia não o impedia de atender o telefone”. Nassif afirmou também que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) “também recebe os recados pelo celular”.

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