Alemanha bane grupo neonazista Combat 18

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Publicado quinta-feira, 23 de janeiro de 2020 as 12:54, por: CdB

Ministro do Interior afirma que proibição da associação, cujo nome remete às iniciais de Adolf Hitler, é mensagem clara de que o extremismo de direita e o antissemitismo não têm lugar na sociedade alemã.

Por Redação, com DW – de Berlim

O ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, baniu nesta quinta-feira a associação extremista de direita Combat 18 Deutschland.

Arquivo: itens do grupo Combat 18 apreendidos em 2003
Arquivo: itens do grupo Combat 18 apreendidos em 2003

Mais de 200 policiais realizaram buscas nas casas de membros do grupo em seis estados do país (Brandemburgo, Hesse, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Renânia do Norte-Vestfália, Renânia-Palatinado e Turíngia). Foram apreendidos celulares, laptops, equipamentos de armazenamento de dados, roupas, itens de devoção ao nazismo e materiais de propaganda, entre outros.

– A proibição de hoje é uma mensagem clara: o extremismo de direita e o antissemitismo não têm lugar em nossa sociedade – declarou Seehofer.

Pedidos de banimento do grupo ganharam força desde o assassinato do político alemão Walter Lübcke, perto de Kassel, em junho de 2019. Acredita-se que o suspeito do assassinato possa ter mantido contato com membros do Combat 18. A Europol, a agência de polícia da União Europeia, também alertou que o grupo representava uma ameaça a todo o continente.

– A série de assassinatos do NSU [célula terrorista de extrema direita que matou dez pessoas entre 2000 e 2007], o horrível assassinato de Walter Lübcke e o ato terrorista em Halle no ano passado nos mostraram de maneira brutal que o extremismo de direita e o antissemitismo representam uma ameaça significativa à nossa sociedade livre – disse Seehofer.

– A Lei Fundamental Alemã [Constituição] nos coloca uma espada afiada nas mãos com a proibição de associações, a fim de proteger efetivamente nossa ordem democrática e nosso sistema de valores – acrescentou.

O que é o Combat 18

O Combat 18 é uma organização neonazista fundada no Reino-Unido em 1992. O número 18 corresponde à primeira e à oitava letras do alfabeto, A e H, as iniciais de Adolf Hitler.

Nos anos 2000, o grupo foi classificado como extremista de direita na Alemanha e acredita-se que haja cerca de 20 membros da organização no país. O lema do grupo é “o que for preciso”.

Na Alemanha, o grupo é liderado por Stanley Röske, 43 anos, de Kassel, e Robin Schmiemann, 35 anos, de Dortmund. Schmiemann já foi preso por atirar em um tunisino.

Esta é a 18ª associação extremista de direita a ser proibida por um ministro do Interior Alemanha. A mais recente havia sido a Weisse Wölfe Terrorcrew, banida em fevereiro de 2016.

Antissemitismo e nacionalismo

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, sublinhou a responsabilidade alemã pela morte de milhões de judeus pelos nazistas em discurso no Yad Vashem, em Jerusalém, nesta quinta-feira. “Os assassinos, os vigilantes, os ajudantes dos ajudantes, os simpatizantes: eles eram alemães”, afirmou.

Por isso a lembrança “jamais deverá ter fim”, acrescentou Steinmeier, que é o primeiro chefe de Estado alemão a discursar no museu em memória às vítimas do Holocausto, durante uma cerimônia pelos 75 anos da libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz-Birkenau.

Steinmeier disse que o antissemitismo e o “veneno do nacionalismo” devem ser combatidos hoje e sempre. O presidente alemão declarou que gostaria de poder dizer que os alemães aprenderam para sempre com a história, mas que isso não é possível diante dos casos recentes de ódio contra judeus e dos ataques a escolas judaicas e sinagogas.

– Não são as mesmas palavras, não são os mesmos criminosos. Mas é o mesmo mal – afirmou o líder alemão durante a cerimônia, da qual participaram cerca de cem sobreviventes do Holocausto, além de representantes de cerca de 40 países, incluindo as nações vencedoras da Segunda Guerra Mundial.

Estiveram presentes os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e o herdeiro do trono britânico, príncipe Charles, além de dezenas de outros líderes, como o presidente da Argentina, Alberto Fernández, e o rei da Espanha, Felipe 6º.

O presidente da Polônia, Andrzej Duda, recusou o convite para a conferência e expressou sua insatisfação por não ser convidado a discursar, enquanto os representantes da Rússia, da França, do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Alemanha foram.

O campo de Auschwitz-Birkenau estava localizado na Polônia, que organizará sua própria cerimônia para celebrar a libertação na próxima segunda-feira, como faz todos os anos, no Museu e Memorial de Auschwitz-Birkenau.

Os organizadores disseram que apenas representantes de Israel, dos Aliados e da Alemanha iriam discursar. Steinmeier falou em inglês. Segundo a Presidência alemã, foi um gesto de respeito às vítimas “não falar a língua dos criminosos neste local”.

Em Israel, a celebração foi apresentada como a mais importante da história do país. “É uma reunião histórica não apenas para Israel e o povo judeu, mas para toda a humanidade”, declarou o presidente israelense, Reuven Rivlin.

O campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau foi libertado pelo Exército Vermelho em 27 de janeiro de 1945. “Em Israel admiramos o heroísmo do povo russo na guerra e o papel crucial do Exército Vermelho para derrotar a Alemanha nazista e liberar os campos de extermínio, incluindo Auschwitz”, disse o ministro israelense do Exterior, Israel Katz, ao recepcionar Putin em Jerusalém.

– Nós sabemos como o antissemitismo acaba: ele acaba em Auschwitz – declarou Putin. Mais de 1 milhão de pessoas, a maioria judeus, foram assassinadas no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões de judeus foram mortos no Holocausto.

Discursos contra o Irã

Em seu discurso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, atacou o Irã e fez referência indireta a acontecimentos recentes, como o atentado que matou o general iraniano Qassem Soleimani. “Israel saúda o presidente Trump e o vice-presidente Pence por confrontarem os tiranos de Teerã”, declarou. Segundo ele, o Irã é o “regime mais antissemita do planeta” e “busca abertamente desenvolver armas nucleares e aniquilar o único Estado judeu”.

Pence seguiu na mesma linha e afirmou que o Irã é o maior disseminador de antissemitismo e “o único governo no mundo que nega o Holocausto como política de Estado e ameaça eliminar Israel do mapa”. Por tudo isso, “o mundo deve confrontar a República Islâmica do Irã”, acrescentou.

Putin afirmou que o Holocausto foi um capítulo terrível na história da humanidade e homenageou todas as vítimas dos nazistas, incluindo 6 milhões de judeus que morreram nos campos de extermínio. Ele retomou uma polêmica recente e afirmou que 40% das vítimas eram cidadãos soviéticos, o que é contestado por historiadores.

O líder russo tem destacado o papel da União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial e minimizado o pacto entre Hitler e Stalin, em 1939, que implicou a invasão da Polônia.

Macron, por sua vez, disse que a luta contra o antissemitismo deve ser intensificada e que o Holocausto jamais deve ser esquecido. “Antissemitismo não é apenas um problema dos judeus”, afirmou. “Não: é sobretudo um problema de todos. Quando o antissemitismo reaparece, todas as formas de racismo proliferam.”

E acrescentou: “Ninguém tem o direito de evocar seus mortos para justificar qualquer divisão ou qualquer ódio contemporâneo”.

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