Alemanha confirma primeiro caso de coronavírus

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Publicado terça-feira, 28 de janeiro de 2020 as 10:24, por: CdB

Homem de 33 anos teria sido infectado na Baviera por colega chinesa que não apresentava sintomas no momento do contágio. Caso é considerado a primeira transmissão de pessoa para pessoa fora da Ásia.

Por Redação, com DW – de Berlim

A Alemanha confirmou na noite de segunda-feira o primeiro caso do novo tipo de coronavírus no país. O infectado é um homem de 33 anos, da região de Starnberg, na Baviera, disse um porta-voz do Ministério da Saúde de Munique. O caso é considerado a primeira transmissão de pessoa para pessoa fora da Ásia.

Autoridades de Saúde da Baviera confirmaram caso
Autoridades de Saúde da Baviera confirmaram caso

Na China, onde os primeiros casos do vírus foram registrados, o número de mortos subiu para 106, e o de infectados, para mais de 4,5 mil, informaram nesta terça-feira as autoridades chinesas. Até agora, fora da China há registro de apenas uma transmissão de pessoas para pessoa, no Vietnã.

De acordo com a força-tarefa de infectologia da Secretaria Estadual de Saúde e Segurança Alimentar (LGL, na sigla em alemão) da Baviera, o primeiro paciente infectado pelo vírus registrado no país está isolado, sob supervisão médica e em boas condições clínicas. O risco de infecção para a população da Baviera é considerado baixo, afirma o órgão.

“As pessoas que estiveram em contato próximo com o paciente foram informadas detalhadamente sobre possíveis sintomas, medidas de higiene e formas de transmissão”, acrescentou a LGL em comunicado.

Em uma coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, a secretária de Saúde da Baviera, Melanie Huml, disse que a situação está sendo levada “muito a sério”. “Nós estamos muito bem preparados”, acrescentou. Cerca de 40 pessoas estão sendo monitoradas.

Segundo Huml, o infectado é funcionário da multinacional alemã Webasto, com sede em Stockdorf, na Baviera, e escritórios na China e uma grande fábrica na região de Wuhan. No dia 21 de janeiro, ele participou de um treinamento em Stockdorf, dado por uma colega chinesa, que havia chegado à Alemanha no dia 19.

Ela não apresentava sintomas e começou a se sentir mal apenas na viagem de volta. O período de incubação do novo coronavírus é de 1 a 14 dias e já se sabe que ele pode ser transmitido antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

A funcionária chinesa vive em Xangai, mas seus pais moram na região de Wuhan, epicentro do novo vírus, e a haviam visitado recentemente. Após retornar à China em 23 de janeiro, ela teria recebido tratamento médico, e o vírus foi diagnosticado. Assim que recebeu essa informação, na última segunda, a Webasto disse ter informado as autoridades de saúde na Baviera.

Nesta terça-feira, o médico-chefe da clínica onde o paciente foi internado em Munique disse que, após ter sentido sintomas de gripe no fim de semana, ele já está sem febre e não tem mais sintomas no sistema respiratório. O médico afirmou não haver risco de contágio para outros pacientes internados no local.

Pessoas que tiveram contato próximo com o homem de 33 anos foram orientadas a permanecer em casa. Por enquanto não há outros casos suspeitos de pessoas que apresentaram sintomas do vírus.

Quase todas as infecções registradas até o momento na Europa, na Ásia e em outros países foram importadas, ou seja, de pessoas que estiveram na China recentemente.

De acordo com Susanne Glasmacher, porta-voz do Instituto Robert Koch, responsável pelo controle e prevenção de doenças na Alemanha, é muito mais concreto no país atualmente o risco de infecção pelo vírus influenza do que pelo novo coronavírus.

– Já temos na atual onda de gripe na Alemanha de 13 mil a 14 mil casos de influenza confirmados em laboratório e mais de 30 mortes – disse Glasmacher em entrevista à emissora Rundfunk Berlin-Brandenburg (rbb).

Os vírus da gripe causam muitas mortes na Alemanha anualmente. Particularmente grave foi o período de gripes de 2017/2018, quando cerca de 25 mil pessoas morreram no país devido à doença.

Wuhan registra 22 mortes em um dia

A maioria dos novos casos do coronavírus e das mortes registrados na China foi na província de Hubei, cuja capital é Wuhan. Só na cidade, foram detectados na segunda-feira 892 novos casos e 22 mortes. Até o momento, o Tibete é a única província chinesa sem infectados. Fora da China, já são 44 casos.

Os números divulgados pelos órgãos da China e pela imprensa estatal consideram como nacionais os cinco casos confirmados até o momento em Taiwan, considerada pelo governo local como uma província rebelde.

A China enviou quase 6 mil médicos de todo o país para Hubei para reforçar a luta contra o surto. Um total de 4.130 médicos já chegaram e começaram a trabalhar, disse Jiao Yahui, da Comissão Nacional de Saúde, durante uma coletiva de imprensa realizada em Pequim. Outros mais de 1,8 mil médicos chegarão até o final do dia.esta terça-feira.

Alguns países, como Estados Unidos, França, Alemanha e Portugal prepararam a retirada de seus cidadãos de Wuhan. O Japão anunciou que vai enviar ainda nesta terça-feira um avião para retirar cerca de 200 pessoas da cidade chinesa. As Filipinas suspenderam a emissão de vistos para China para evitar que o surto chegue ao país.

As região de Wuhan segue isolada. O período de férias do Ano Novo Lunar, que deveria terminar nesta quinta-feira, foi estendido para tentar limitar a movimentação da população.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu nesta segunda-feira um erro na avaliação de risco global do novo coronavírus e disse que o nível correto é elevado. Anteriormente, ele havia sido apontado como moderado.

 

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