Alemanha à deriva na Liga das Nações

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Publicado quarta-feira, 17 de outubro de 2018 as 13:27, por: CdB

Em 2018, a seleção alemã já acumula uma sequência histórica de derrotas. Mas o que se viu em campo contra França dá um alento à torcida: com nomes como Sané, Gnabry e Werner, a prometida reformulação dá o primeiro sinal.

Por Redação, com DW – de Berlim

Semanas após o retumbante fracasso da seleção alemã na Copa do Mundo, o técnico Joachim Löw veio a público e, apoiado pela cartolagem da Federação Alemã de Futebol, anunciou durante coletiva de imprensa seus planos para o futuro. A nova palavra de ordem: reconstrução.

Sané entre dois franceses: linha ofensiva com Gnabry e Werner funcionou – ao menos no primeiro tempo

De reconstrução os alemães entendem muito. Basta lembrar as cidades devastadas pelos bombardeios aéreos durante a guerra para se ter uma ideia do trabalho que a população teria pela frente para reerguer o país dos escombros.

Quando Löw se utilizou do termo “reconstrução”, para muitos torcedores da velha guarda vieram lembranças do pós-guerra à memória. Imaginavam que poderia ser a chance de haver um novo começo, a começar pela própria comissão técnica e também pela renovação do elenco nas futuras convocações.

Mas, o que se viu nas semanas subsequentes ao pomposo anúncio dos planos de reconstrução, na realidade foi mais do mesmo.

Em setembro, no primeiro jogo oficial da nova temporada contra a França pela Liga das Nações, Löw deu uma requentada em velhas receitas utilizadas durante a Copa do Mundo no Brasil, e seu time jogou para o gasto. Detalhe: da equipe que naufragou diante da Coreia do Sul, sete (!) estiveram em campo contra a atual campeã mundial.  Menos mal para os alemães que a partida terminou empatada em 0 x 0.

O resultado parecia ser um bálsamo para o ânimo dos torcedores e dos próprios jogadores depois das feridas abertas e ainda não totalmente cicatrizadas na Rússia.

Só que um mês depois veio o jogo com a jovem e renovada seleção da Holanda que, além de quebrar um tabu de 16 anos, infringiu à Alemanha a pior derrota desde 2006, quando, num amistoso, perdeu para a Itália por 4 a 1.

Em Amsterdã, a atrevida seleção “Orange” venceu por 3 a 0.  Os holandeses, comandados pelo técnico Ronald Koeman, levaram nítida vantagem sobre os alemães, especialmente no quesito transição defesa/ataque por conta da alta velocidade do seu trio ofensivo composto por Depay, Babel e Wijnaldum. Era um contra-ataque atrás do outro, dois dos quais resultaram em gol. A lenta defesa alemã, composta por Hummels e Boateng, não deu conta do ritmo ditado pela molecada “laranja”.

Detalhe: mais uma vez a seleção alemã entrou em campo com sete jogadores que estiveram em ação na malfadada partida contra a Coreia do Sul. Só na metade do segundo tempo Löw colocou em campo a jovem guarda (Sané e Brandt). Estes dois, entretanto, também não renderam o que se esperava.  Lembra aquele ditado: não se costura remendo de pano novo em vestido velho. Da palavra mágica “reconstrução”, nem sombra.

Pela primeira vez em sua gloriosa história a Alemanha não marcou um golzinho sequer em três jogos oficiais consecutivos e, em 2018, já acumula cinco derrotas no ano, algo que não acontece desde 1985.

Grupo

Três dias após o debacle de Amsterdã, os comandados de Joachim Löw encararam “les bleus” no jogo de volta do seu grupo da Liga das Nações. Entraram em campo com apenas um pontinho ganho em duas partidas, atrás de França (4) e Holanda (3).

E desta vez, talvez pressionado pelas circunstâncias, o técnico alemão deu claros sinais de que chegou a hora de dar início efetivamente ao trabalho de reconstrução do time.

Montou uma defesa com três zagueiros (Ginter, Süle, Hummels), pelas alas escalou dois novatos (Kehrer e Schulz), Kimmich e Kroos se alternavam na proteção à defesa e no municiamento da linha ofensiva formada por Gnabry, Werner e Sané. E funcionou bem, pelo menos no primeiro tempo, quando a Alemanha dominou o jogo, abriu o placar e poderia ter feito pelo menos mais um. Não fez.

Na segunda etapa os alemães se resguardaram mais na defesa, e os franceses foram para cima pressionando a retaguarda germânica. E mais uma vez, o fator Griezmann foi decisivo, assim como foi na semifinal da Eurocopa de 2016. Marcou dois gols e garantiu a vitória da campeã mundial.

O resultado para a Alemanha foi péssimo, mas o que se viu do time em campo dá um novo alento à torcida. A atuação dos jovens novatos no time titular desde o início da partida permite afirmar que efetivamente pode ter começado o processo de reestruturação da equipe. E, como todos sabemos, um processo não se faz de uma hora para a outra, mas o primeiro passo desta caminhada parece ter sido dado pelo técnico Joachim Löw.

Durante anos, a seleção alemã, assim como outras seleções pelo mundo, priorizavam acima de tudo a posse de bola. Na última Copa do Mundo, França, Croácia, Inglaterra e Bélgica, por exemplo, demonstraram à exaustão que isto acabou. A bola da vez agora são aquelas equipes que, a partir de uma defesa firme e bem organizada, fazem uma transição veloz rumo ao ataque.  É por este processo que a Alemanha terá que passar.  Daí a importância de jovens talentos como Sané, Gnabry e Werner para implementar este novo estilo de jogo.

Quanto ao resultado foi péssimo mesmo porque a Alemanha não depende mais de si mesmo para permanecer na primeira divisão da Liga das Nações. Basta a Holanda vencer a França no dia 16 de novembro, que a seleção alemã será rebaixada para a “segundona” europeia.

Questionado a este respeito logo depois da partida desta terça-feira, Löw deu de ombros: “Faz parte do processo de reconstrução. Os primeiros resultados, nós vamos ver só na Eurocopa de 2020”.

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