Alencar assume Defesa, enfatiza autoridade de Lula com militares

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Publicado segunda-feira, 8 de novembro de 2004 as 20:48, por: CdB

O vice-presidente, José Alencar, enfatizou nesta segunda-feira ao assumir o Ministério da Defesa que Exército, Marinha e Aeronáutica, “tendo como base a hierarquia e a disciplina”, são instituições sob “autoridade suprema do presidente da República”.

– O Ministério da Defesa é, de fato e de direito, braço do chefe supremo das Forças Armadas. Estarei sempre consciente disso. É o presidente quem está aqui, representado por mim – afirmou Alencar em seu discurso de posse.

O vice-presidente substituiu o embaixador José Viegas, que deixou a pasta da Defesa fazendo duras críticas à postura do Exército quando da publicação, no mês passado, de fotografias que supostamente seriam do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do DOI-Codi durante o regime militar.

Em uma primeira nota, divulgada sem o consentimento do então ministro, o Exército exaltou o golpe de 1964 e os esforços de “pacificação” realizados pelos militares no período. Viegas teria pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, fosse demitido por ver no episódio quebra de hierarquia, mas Lula entendeu que uma retratação bastaria.

Com esse pano de fundo, Alencar sinalizou nesta segunda-feira que não pretende promover uma mudança no comando das Forças e negou que haja um processo de desgaste da figura de Albuquerque.

– Não há bombardeio, os três comandantes foram unânimes ao afirmarem que vão colocar à nossa disposição todos os seus esforços – disse Alencar a jornalistas, após a cerimônia.

Alencar afirmou que pretende chefiar a pasta sem olhar para o passado. “Minha visão é daqui para frente, eu não tenho nada com o passado.”

Tanto Viegas quanto Alencar adotaram um postura amena e preferiram elogiar os trabalhos que realizaram e as expectativas que têm sobre as Forças Armadas e as tarefas da pasta. O vice-presidente chegou a dizer que os militares “superam barreiras e eventuais equívocos de percurso, pois são esteios da soberania e de fatores de estabilidade”.

O ex-ministro da Defesa fez um longo discurso e listou os programas realizados durante os 22 meses que esteve à frente da pasta e não comentou o episódio que levou à sua saída.

Viegas elogiou a atuação do Brasil no comando da força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti. O país enviou 1.200 soldados para garantirem o processo de paz do país.

– Graças ao preparo de nossos soldados, que têm um histórico impecável de participação nas operações de paz da ONU, a nossa presença lá não pode deixar de ser percebida como demonstração de um apoio fraterno, pois todos sabem que o Brasil não tem interesses particulares a defender no Haiti – disse Viegas em seu discurso de despedida.

Ao deixar o Palácio do Planalto, o diplomata, que deve assumir uma embaixada na Europa, disse apenas que sai feliz e sem mágoas.