Alfie vira menos cafajeste na pele de Jude Law

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Publicado quinta-feira, 4 de novembro de 2004 as 15:21, por: CdB

Alfie” perdeu um pouco de sua malícia. O egocêntrico sedutor londrino representado com frieza e distanciamento por Michael Caine no filme “Alfie — Como Conquistar as Mulheres”, de 1966, ajudou a elevar Caine ao estrelato internacional. Agora, quatro décadas mais tarde, uma nova versão estrelada por Jude Law traz Alfie como um sedutor mais humano e simpático, se bem que, basicamente, não deixe de ser um cafajeste.

O espectador talvez queira perguntar: “Qual é a tua, afinal, Alfie?”, e a resposta, segundo Jude Law, é: “O bonito deste filme é que não é apenas sobre um sujeito que traça todas as mulheres. É sobre relacionamentos.”

Em encontro recente com jornalistas, o ator se apressou a acrescentar: “Todos nós podemos nos identificar com a idéia de largar alguém ou ser largado, de trair ou ser traído.”

Seja como for, em “Alfie — O Sedutor“, o remake que tem direção e roteiro co-assinado por Charles Shyer e estréia nos Estados Unidos nesta sexta-feira, Jude Law, 31 anos, passa o filme todo extremamente ocupado com mulheres.

As transas acontecem no banco de trás de uma limusine, sobre uma mesa de bilhar ou com o conquistador alcoolizado. “O absinto aquece o coração”, se alegra Susan Sarandon em um encontro apaixonado.

O belo ator indicado ao Oscar por seu trabalho em “O Talentoso Ripley” e “Cold Mountain” está presente em praticamente todos os quadros do filme, que está mais ligado à moda do que ao realismo social que formava o pano de fundo do primeiro “Alfie”, um estudo sobre um conquistador cafajeste que acaba recebendo o que merece.

A refilmagem transfere a história de uma Londres em preto e branco do início dos anos 1960 para a Nova York da era “Sex in the City”, obcecada por moda e beleza.

O filme trata da incapacidade de Alfie de se comprometer com qualquer mulher e o mostra fazendo par passageiramente com várias, representadas por Sarandon, Marisa Tomei, Nia Long, Jane Krakowski e Sienna Miller.

Os papéis femininos no remake refletem as mudanças ocorridas na paisagem sexual nas últimas décadas, conferindo às mulheres mais força do que tinham as vítimas do Alfie original.

Enquanto Michael Caine era frio e calculista, a desordem de Jude Law parece mais inocente, como se ele fosse vítima de seu próprio poder de sedução irresistível. No final, ele termina sozinho como no começo.

Os ecos dos anos 1960 são sentidos nos ternos estreitos e justos usados por Law e na trilha sonora composta e cantada por Mick Jagger e por Dave Stewart, dos Eurythmics.

Embora não seja mordaz como o “Alfie” original, o novo filme destaca Jude Law como nunca antes. “Acho que ele vai se tornar um dos maiores astros do cinema mundial, senão o maior”, disse Charles Shyer.

O que é inegável, em todo caso, é que ele vem sendo um dos atores mais ocupados do momento.

“Alfie” é um dos seis filmes que Law estréia na temporada atual, ao lado de “The Aviator”, “Closer”, “Lemony Snicket”, “Sky Captain and the World of Tomorrow” e “I (Heart) Huckabees”.