Aliado internacional de Bolsonaro, Orbán perde a eleição na Hungria

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Publicado segunda-feira, 14 de outubro de 2019 as 14:53, por: CdB

Com 74% das urnas apuradas, o sociólogo ecologista Gergely Karácsony, 44 anos, conseguiu 50,1% dos votos nas eleições municipais.

Por Redação, com agências internacionais – de Budapeste

A oposição na Hungria impôs duras derrotas ao partido nacionalista conservador Fidesz, do primeiro-ministro do país, neofascista, aliado internacional do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, Viktor Orbán, e venceu as eleições municipais realizadas no domingo em Budapeste e outras grandes cidades.

Primeiro-ministro, Viktor Orbán
Primeiro-ministro, Viktor Orbán

O candidato da coalizão opositora, Gergely Karacsony, 44 anos, conseguiu 50,1% dos votos nas eleições municipais de domingo, derrotando o atual prefeito István Tarlós, 71 ano, ele será o próximo prefeito da capital húngara.

Prefeito de um distrito de Budapeste, Gergely Karacsony recebeu o apoio de vários partidos de esquerda, liberais e de centro. Tarlos, que governava Budadpeste desde 2010, ligou para seu adversário para cumprimentá-lo.

A conquista da prefeitura da capital húngara era o objetivo principal proposto nestas eleições pelos opositores de Orbán, líder nacionalista e cujo partido , domina a cena política húngara há 10 anos.

A perda do controle da capital, o centro político e econômico do país, significa um avanço considerável para uma oposição que, depois de anos dividida e debilitada, decidiu se unir em torno de candidatos únicos nas grandes cidades.

A estratégia funcionou na capital, onde as últimas pesquisas tinham previsto um empate. Isso por si só já era extraordinário. A batalha de Budapeste foi pedida por Orbán e seu partido, arranhando consideravelmente seu domínio político no país.

Budapeste é a cidade mais povoada da Hungria, com 1,7 dos quase 10 milhões habitantes do país. Diferente do forte apoio que Orbán tem no campo, na capital milhares de pessoas ocuparam as ruas no início deste ano para se manifestar contra uma reforma trabalhista e contra o autoritarismo do primeiro-ministro desde que chegou ao poder, por maioria absoluta, em 2010.

Desde então, enfrentou Bruxelas, fragilizou a independência de todas as instituições do país, desde os juízes à imprensa e o mundo acadêmico, e lidera uma cruzada xenófoba na Europa.

Campanha

Durante a campanha para as eleições municipais de domingo, o partido de Orbán, Fidesz, limitou-se a explorar a retórica contra os imigrantes que tão bem estava funcionando desde 2015. Centrou-se em alertar contra a imigração em um país onde mal há imigrantes e que se nega a acolher refugiados. Mas a oposição mudou de estratégia: uniu-se contra um adversário comum, algo que não conseguia em todos estes anos de derrotas. Também focou sua mensagem no plano simbólico.

Na campanha, o próprio Karácsony, comparava no diário britânico Financial Times a oportunidade que tinha no domingo com a vitória da oposição turca em junho em Istambul contra o partido do presidente, o autoritário Recep Tayyip Erdogan.

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