Aliados dos EUA discutem presença no Iraque

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Publicado domingo, 30 de novembro de 2003 as 11:55, por: CdB

As mortes de sete agentes de inteligência espanhóis e de dois diplomatas japoneses em emboscadas no Iraque provocaram no domingo um novo debate em países aliados dos Estados Unidos sobre os riscos de participarem de missões no Iraque.

O Exército dos EUA disse que dois soldados norte-americanos também foram mortos no sábado, quando guerrilheiros atacaram o comboio em que viajavam com armas leves e granadas lançadas por foguetes a oeste de Bagdá.

O ataque elevou para 187 o número de soldados dos EUA mortos no Iraque desde que Washington declarou o fim dos combates principais, no início de maio.

Na Espanha, onde a opinião pública foi contra a guerra, a morte de sete agentes no sul de Bagdá no sábado reviveu as dúvidas sobre a missão dos cerca de 1.300 soldados espanhóis que ajudam a controlar o centro e o sul do Iraque.

“A Espanha paga um preço alto”, disse em editorial o jornal de esquerda El Pais. O diário El Mundo descreveu o caso como ”mortes que requerem explicações e reflexão”.

Testemunhas disseram que uma multidão cercou os corpos dos espanhóis mortos, chutou os cadáveres e gritou frases de apoio ao ditador fugitivo Saddam Hussein.

Na manhã de domingo, jovens pulavam sobre os destroços e desmontavam um dos carros. “Estamos felizes com o que aconteceu”, disse Abdul Qader, estudante de 20 anos. “Não gostamos dos americanos nem dos espanhóis”.

O ministro da Defesa espanhol, Federico Trillo, disse que irá ao Iraque para resgatar os corpos dos agentes.
Socialistas da oposição deixaram de lado as objeções à guerra para manifestar pesar pelas mortes e apoiar os parentes.

“Minha posição sobre a guerra ao Iraque é conhecida, mas hoje é um dia de luto, é um dia de dor, é um dia de união e solidariedade com as famílias das vítimas”, disse a repórteres o líder socialista José Luis Rodriguez Zapatero.

Diplomatas Mortos

Em Tóquio, a ministra das Relações Exteriores do Japão confirmou que dois diplomatas foram mortos em uma emboscada no sábado quando viajavam para um seminário sobre a reconstrução do Iraque na cidade natal de Saddam, Tikrit.

As mortes certamente complicarão a decisão de Tóquio sobre a viabilidade de mandar tropas ao Iraque. Mas a ministra das Relações Exteriores, Yoriko Kawaguchi, disse que o Japão continua decidido.

“Este incidente é imperdoável”, disse.

O tenente-coronel William MacDonald, porta-voz da 4a Divisão de Infantaria em Tikrit, disse que os diplomatas japoneses foram atacados quando o motorista parou na estrada a caminho de Tikrit.

“Os três pararam para comprar comida e bebida quando os agressores dispararam armas de pequeno calibre contra eles”, disse a repórteres.

Analistas políticos disseram que o primeiro-ministro Junichiro Koizumi pode causar sérios danos à sua popularidade se enviar soldados ao Iraque e houver mortes, o que poderia prejudicar a campanha para as eleições à câmara alta do Parlamento, em julho.

O Japão aprovou uma lei especial para poder enviar tropas ao Iraque mas, de acordo com a constituição pacifista do país, os soldados só podem ser enviados para áreas fora de combate e participar apenas de trabalhos humanitários e de reconstrução.

Os planos do Japão de enviar tropas foram colocados em compasso de espera após o ataque suicida contra uma base italiana no sul do Iraque que matou 19 italianos e nove iraquianos.

Depois do ataque, o Japão enviou uma equipe de reconhecimento ao sul do Iraque, onde suas tropas ficarão. O ministro da Defesa japonês, Shigeru Ishiba, disse que, segundo a equipe, a região está relativamente estável.