Alta no preço dos combustíveis leva inflação a romper teto, em 12 meses

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Publicado quinta-feira, 25 de março de 2021 as 14:31, por: CdB

Pela primeira vez desde 2016, o índice acumulado em 12 meses supera o teto da meta estabelecida pelo Banco Central para o ano, que é de 5,25%. Ainda sob efeito da sequência de reajustes promovidos pela Petrobras, a gasolina contribuiu sozinha com 0,56 ponto percentual do IPCA-15. A commodity registra alta de 11,18% em março.

Por Redação – de Brasília e Rio de Janeiro

As altas seguidas no preço da gasolina impulsionaram a prévia da inflação de março para 0,93%, após 0,48% no mês passado. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em relatório divulgado nesta quinta-feira. Em um ano, o índice bate a marca dos 5,52%, a maior taxa do indicador do IBGE que mede a prévia da inflação, o IPCA-15, para um mês de março desde 2015.

Encher o tanque, com gasolina, álcool ou óleo diesel, tem ficado mais caro no país, dia após dia

Pela primeira vez desde 2016, o índice acumulado em 12 meses supera o teto da meta estabelecida pelo Banco Central para o ano, que é de 5,25%. Ainda sob efeito da sequência de reajustes promovidos pela Petrobras, a gasolina contribuiu sozinha com 0,56 ponto percentual do IPCA-15. A commodity registra alta de 11,18% em março, reflexo dos seis reajustes promovidos pela Petrobras entre o início de 2020 e a semana passada.

Desaceleração

O custo dos transportes subiu 3,79%, contra 1,11% em fevereiro, mas os combustíveis impactaram também o custo da habitação, que subiu 0,71% na prévia da inflação de março, informou o IBGE. A alta foi puxada pelo gás de botijão (4,60%), no décimo mês consecutivo de alta, e do gás encanado (2,52%). A taxa de água e esgoto (0,68%) também acelerou em relação a fevereiro.

Com peso específico na inflação, ao longo do primeiro ano de pandemia, o preço dos alimentos permanece em desaceleração. Nesta prévia da inflação de março, tiveram alta de 0,12%, contra 0,56% no mês anterior.

“Os alimentos para consumo no domicílio caíram 0,03% após sete meses consecutivos de alta, sobretudo por conta das quedas de tomate (-17,50%), a batata-inglesa (-16,20%), o leite longa vida (-4,50%) e o arroz (-1,65%). No lado das altas, as carnes aumentaram 1,72%”, informa o IBGE.

Copom

O cálculo do IPCA-15 usa a mesma metodologia da pesquisa do IPCA, o indicador oficial de inflação do país. A diferença está no período de coleta dos preços, que no primeiro caso é iniciada na segunda quinzena do mês anterior, e na abrangência geográfica, com menos localidades pesquisadas.

O índice fechado neste mês já se aproximava do teto da meta em fevereiro, quando o acumulado em 12 meses ficou em 5,20%. O resultado fechado de março só será divulgado no início de abril. Se a tendência for mantida, será a primeira vez que o IPCA de 12 meses ficará acima do teto da meta desde novembro de 2016, quando foi de 6,99%.

A escalada inflacionária dos últimos meses levou o Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central (BC) a elevar a taxa básica de juros pela primeira vez desde 2015. A alta de 0,75 ponto percentual surpreendeu o mercado, que esperava 0,5 ponto percentual.

Acima do teto

O BC também revisou, para cima, a projeção para a inflação de 2021, que ficou em 5%, 1,25 ponto percentual acima da meta, mas ainda dentro do intervalo de tolerância. A estimativa foi publicada nesta quinta-feira. No relatório de inflação anterior, o BC projetava 3,4% para 2021 e 3,4% para 2022. A simulação feita pela autoridade monetária mostra que os preços podem acelerar 4,2% no melhor cenário. No pior, a inflação estouraria o teto da meta e chegaria a 5,8%.

A meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3,75% com tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo. No texto, o BC diz que a probabilidade de estourar o teto aumentou em 33 pontos percentuais desde o relatório anterior — era de 8% e passou para 41%.