Ameaça de Braga Netto à democracia enterra, de vez, proposta de voto impresso

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Publicado quinta-feira, 22 de julho de 2021 as 15:46, por: CdB

Uma reportagem do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP) denunciou, na atual edição, que no último dia 8, quinta-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), recebeu um duro recado do ministro.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

Ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto voltou a ameaçar a realização das eleições no próximo ano e disse que elas podem não se realizar se a Câmara não aprovar o “voto impresso e auditável”. Depois das repercussões, no entanto, o militar voltou atrás e negou a ameaça, mas o estrago no Congresso já estava consumado, com o enterro definitivo da proposta de volta do voto impresso, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil junto a parlamentares do mais variado matiz político, nas duas Casas Legislativas.

Ministro da Defesa, o general Walter Braga Netto ameaçou a democracia brasileira e recebeu críticas de todos os lados

Uma reportagem do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP) denunciou, na atual edição, que no último dia 8, quinta-feira, o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), recebeu um duro recado do ministro. O general pediu para comunicar que não haveria eleições, se não houvesse o voto impresso. “Ao dar o aviso, o ministro estava acompanhado de chefes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica”, afirma a reportagem.

Logo após a publicação da denúncia, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, pronunciou-se em uma rede social:

“Conversei com o Ministro da Defesa e com o Presidente da Câmara e ambos desmentiram, enfaticamente, qualquer episódio de ameaça às eleições. Temos uma Constituição em vigor, instituições funcionando, imprensa livre e sociedade consciente e mobilizada em favor da democracia”.

Voto impresso

Bolsonaro, no entanto, já repetiu publicamente a ameaça de Braga Netto. No mesmo 8 de julho, disse aos seus seguidores que “ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, afirmou Bolsonaro a apoiadores, naquela data, na entrada do Palácio da Alvorada.

Nos bastidores, Lira disse que via aquele momento com preocupação porque a situação era “gravíssima”. Diante da possibilidade de o Congresso rejeitar a proposta de emenda à Constituição que prevê o voto impresso – ainda hoje em tramitação numa Comissão Especial da Câmara –, Bolsonaro subia cada vez mais o tom.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, no dia 6 de maio, o presidente já dizia, sem apresentar provas, que o atual sistema de urna eletrônica permite fraude.

— Vai ter voto impresso em 2022 e ponto final. Não vou nem falar mais nada. (…) Se não tiver voto impresso, sinal de que não vai ter a eleição. Acho que o recado está dado — afirmou o mandatário. O que não se sabia, àquela altura, é que o presidente contava com o apoio da cúpula militar para suas investidas autoritárias.

Tumultuar eleições

Na análise do jornalista Leonardo Sakamoto, em um portal de notícias, lembrou que a urna eletrônica já é auditável “e o general sabe disso”.

“A pressão criminosa sobre o parlamento pela aprovação da impressão do voto teria o objetivo de pavimentar a estratégia do presidente da República para tumultuar as eleições do ano que vem em caso de derrota, o que abriria caminho para um golpe de Estado”, acrescentou.

Ainda segundo Sakamoto, “vale lembrar que Braga Netto e os três comandantes das Forças Armadas já haviam ameaçado, através de uma nota, o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), quando este afirmou que ‘membros do lado podre das Forças Armadas estão envolvidos com falcatrua dentro do governo’ e que os honestos devem estar muito envergonhados”.

“Mais do que uma demonstração de indignação boba, uma vez que toda categoria de servidores tem sua banda podre, era uma tentativa de auto-preservação. Como também é esse tipo de ameaça às eleições, ainda mais no momento em que a CPI indica uma tropa de coronéis e um general citados nas denúncias de cambalachos”, acrescentou.

Cadeia neles

De acordo com o cronista, “Bolsonaro terá que encontrar outra forma de dar um golpe nas eleições do ano que vem. Criatividade e recursos não faltam a ele. E aliados. Menos nas Forças Armadas e mais nas polícias estaduais”.

Mais objetivo, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, pode ir para a cadeia caso tente dar um golpe contra s eleições de 2022.

“Esse Braga Neto é um arrogante pretendente a ditador. Ameaça o país de golpe de estado caso não tenha voto impresso. Caso tente implementar tal aventura, seu destino será a cadeia!”, escreveu o parlamentar, em uma rede social.

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