Ameaça de guerra comercial derruba a bolsa, mas China segura os índices

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2018 as 15:08, por: CdB

O porta-­voz da Casa Branca, nesta quarta-feira, confirmou que os EUA estão pressionando a China a reduzir o superávit comercial com o país em US$ 100 bilhões.


Por Redação – de São Paulo

 

A reação de Wall Street quanto aos últimos atos do presidente Donald Trump, que flerta com uma guerra comercial iminente, chegou aos mercados secunda1rios e terminou por empurrar o Ibovespa para o índice negativo. As preocupações com a política protecionista do governo norte-americano se traduziram no ambiente tenso e cauteloso deste pregão, sobrepondo-se à agenda econômica local. Às 13h40 o Ibovespa caia 0,62% aos 85.832 pontos. Na máxima, chegou a 86.970 pontos e, na mínima aos 85.691 pontos.

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A pressão dos EUA sobre a China tem influenciado nos mercados acionários ao redor do mundo

O porta-­voz da Casa Branca, nesta quarta-feira, confirmou que os EUA estão pressionando a China a reduzir o superávit comercial com o país em US$ 100 bilhões. Até agora, porém, os parceiros comerciais dos EUA buscam negociar isenções às sobretaxas impostas pelo país às importações de aço e alumínio, para evitar retaliações e um aumento nas tensões mundiais.

Mas isso pode mudar, apontam analistas, tendo em vista os rumores de que novas tarifas podem ser impostas pelos EUA, a produtos de tecnologia e vestuário, entre outros ítens direcionadas à China. Na lista das maiores quedas, no Ibovespa, o destaque era a Eletrobras, diante da resistência política em vender o patrimõnio público.

Leve oscilação

A queda no Ibovespa não se traduziu na alta da moeda norte-americana. Mas o dólar reduziu a queda e passava a operar com leves variações sobre o real nesta quarta-feira, com a cautela com eventual guerra comercial desencadeada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O cenário, no entanto, dividia as atenções com os dados robustos da China, que içaram os preços das commodities mais cedo.

Às 12h17, o dólar avançava 0,05%, a R$ 3,2636 na venda, depois de subir 0,33% nos dois pregões anteriores. Na mínima deste pregão, a moeda norte-americana foi a R$ 3,2470. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,05%.

— Há risco de guerra comercial… tivemos duas baixas importantes nos Estados Unidos — afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

Petróleo

Depois de anunciar taxas de importação para aço e alumínio, Trump ameaça agora impor tarifas sobre 60 bilhões de dólares de importações chinesas pelos Estados Unidos, elevando os temores de uma guerra comercial.

No exterior, o dólar subia ante uma cesta de moedas, mas recuava sobre divisas de países emergentes, como os pesos mexicano e chileno.

Até então, o dólar vinha caindo sobre o real sustentado pelos dados robustos da China, que impulsionaram os preços das commodities. O petróleo, no entanto, devolveu a alta e passou a cair, também pressionando a trajetória no mercado de câmbio.

Federal Reserve

Pequim anunciou mais cedo que sua produção industrial cresceu 7,2% entre janeiro e fevereiro, muito mais rápido do que o esperado no início do ano, sugerindo que a economia pode estar ganhando força.

Ainda na cena externa, foi divulgado que as vendas no varejo dos Estados Unidos caíram pelo terceiro mês consecutivo em fevereiro, em meio à percepção dos mercados financeiros de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não vai elevar os juros mais do que o esperado.

O Fed vem indicando que elevará os juros três vezes neste ano de forma gradual e, um movimento mais forte do que o esperado, aumentaria o potencial de atrair para os Estados Unidos recursos aplicados hoje em outros mercados financeiros, como o brasileiro.

Venda futura

Apesar disso, pesquisa Reuters com diversos economistas mostrou que as projeções passaram a incluir alta adicional nos juros, totalizando quatro em 2018. O levantamento também apurou que as tarifas de importação do presidente Donald Trump farão mais mal do que bem para a economia dos EUA.

O Fed elevará os juros na próxima semana, disseram todos os 104 economistas entrevistados pela Reuters entre 5 e 13 de março, com mais três altas esperadas para este ano, impulsionadas pelo sólido mercado de trabalho. No levantamento feito há algumas semanas, as projeções eram de três altas neste ano.

O Banco Central brasileiro vendeu nesta sessão toda a oferta de até 14 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolagem do vencimento de abril. Dessa forma, já rolou US$ 2,1 bilhão do total de US$ 9,029 bilhões. Se mantiver esse volume e vendê-lo integralmente, o BC rolará o valor total dos swaps que vencem no próximo mês.

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