A América Latina pode nos ensinar

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Publicado sexta-feira, 1 de novembro de 2019 as 08:46, por: CdB

Ao visitar a Argentina, logo após sua posse, Bolsonaro, em mais uma demonstração de desconhecimento do que faz e fala, rasgou elogios ao presidente daquele país, Mauricio Macri. Elogiou a sua política, dizendo ser também a sua. Julgando-se grande cabo eleitoral, ele manifestou todo apoio ao parceiro para as eleições que se aproximavam.

Por Aluisio Arruda – de Brasília

Se Bolsonaro tivesse o mínimo de sensatez teria antes analisado a situação da Argentina e não passaria a vergonha e o desgaste da derrota de Macri, seu querido aliado, no primeiro turno das eleições.

Bolsonaro com o presidente argentino Mauricio Macri
Bolsonaro com o presidente argentino Mauricio Macri

Vamos aos fatos: Durante o governo Macri a inflação na Argentina passou de 25% para 58%; a taxa de juros de 28%, ultrapassa 60%; a desvalorização do peso de US$ 15 está em US$ 48; a dívida externa de US$ 161 para US$ 279 bilhões; o poder de compra dos Argentinos de US$ 580 caiu para US$ 279; o desemprego aumentou 50% e o risco do pais para investimentos aumentou de US$ 487 para US$ 900.

Apenas esses dados, sem contar outros, já seriam suficientes para se perceber o desastre do governo Macri e a grande dificuldade que teria para se reeleger, conforme apontavam todas as pesquisas.

Mas Bolsonaro, talvez se baseando em sua própria eleição e sua experiência de sete mandatos como deputado federal sem ter apresentado nenhum projeto de relevância, deve ter achado que seu colega conseguiria a mesma façanha que ele. Acontece que o povo Argentino não é tão tolo.

O fracasso político não atinge apenas Macri. No Chile está sendo bem pior. O presidente Piñera, ainda não caiu porque o exército e a polícia estão a praticar uma violenta repressão só comparável ao período da ditadura Pinochet. No Equador a situação é muito semelhante.

Nas eleições recentes ocorridas na Bolívia, no Uruguai e na Colômbia, os candidatos que defenderam a mesma política de Macri, Piñera, Ivan Duque, e aqui no Brasil de Bolsonaro, chamada de neoliberal, foram derrotados.

Praticamente no único país da América Latina onde as convulsões sociais ainda não ocorrem, por enquanto, é no Brasil, apesar de três anos de mesma política do governo Temer e quase um ano de Bolsonaro.

Brasil

Já são quatro anos que o crescimento do Brasil não chega a 1%. O desemprego só aumenta, atingindo quase 13 milhões, cerca de 30 milhões vivendo de bicos, e outras desgraças que se abateram contra a maioria da população como o corte de verbas sociais por 20 anos, a Reforma Trabalhista, da Previdência, as privatizações, entrega do nosso pré-sal e importantes empresas estratégicas.

Essa política neoliberal não arrasou apenas países da América Latina, mas em todos onde foi implementada como na Grécia, Espanha, México, Ucrânia e outros.

A política neoliberal atende apenas interesses do grande capital, bancos, rentistas e multinacionais. É também uma estratégia das grandes nações para inviabilizar o crescimento dos demais países, para que estes se tornem meros fornecedores de matéria prima e mão de obra barata e não tenham perspectivas de se tornar nação forte, independente, para que não tenham possibilidade de concorrer com os países ricos.

O Brasil, se conseguir se livrar dessa política suicida e maléfica, aplicada ontem por Temer e hoje por Bolsonaro, pode ainda ter possibilidade de ser grande nação, porque tem grandes extensões de terras férteis, ricas reservas minerais, água em abundância, clima favorável e um povo criativo e laborioso.

Portanto, é preciso se preocupar mais com a política, pois é ela que define tudo em nossas vidas. Teria que ter mais responsabilidade com a política, porque os que erram não prejudicam apenas a si, mas toda sua família, o povo em geral e o país. Teria que analisar melhor o que é fake ou verdade, conhecer melhor o passado e as propostas dos políticos, pois são eles que definem nosso futuro e da nação.

Aluisio Arruda, é jornalista, arquiteto e urbanista.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

 

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