Angela Merkel e Schulz entram na ‘prorrogação’ para pactuar coalizão

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Publicado segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018 as 14:16, por: CdB

Schulz deixou claro que levariam todo o tempo necessário para conseguir um acordo “sólido”, requisito imprescindível, em sua opinião, para dar à Alemanha o governo estável de que necessita

Por Redação, com EFE e Reuters – de Berlim:

O bloco conservador liderado pela chanceler alemã, Angela Merkel, e os social-democratas de Martin Schulz entraram nesta segunda-feira na “prorrogação” das negociações para conseguir um pacto de governo, com discordâncias ainda sobre a mesa.

Angela Merkel, e os social-democratas de Martin Schulz

O calendário fixado antes de começar esta última rodada de negociação previa que o acordo fosse fechado ontem, mas incluía dois possíveis dias extras de reuniões e ambos blocos continuam hoje com suas conversas a portas fechadas na sede do Partido Social-Democrata (SPD) em Berlim.

– Parto da base que hoje podemos acabar; não tenho certeza, mas tenho confiança – declarou à imprensa o dirigente da União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e premiê do estado federado de Hessen, Volker Bouffier, que não descartou que o acordo possa ser apresentando amanhã pela manhã.

– A vontade está aí, acredito que por todas as partes, mas os empecilhos ainda são grandes – ressaltou; por sua parte, Alexander Dobrindt, líder parlamentar da União Social Cristã (CSU) da Baviera, aliada de Merkel.

Os problemas se centram em duas reivindicações do SPD, que quer acabar com os contratos temporários injustificados; e garantir a igualdade de tratamento nos seguros de saúde.

Schulz deixou claro que levariam todo o tempo necessário para conseguir um acordo “sólido”; requisito imprescindível, em sua opinião, para dar à Alemanha o governo estável de que necessita.

Uma vez fechado o acordo final, este será submetido à votação entre os cerca de 440 mil militantes social-democratas.

Será uma consulta vinculativa e a juventude do SPD e setores da sua ala mais à esquerda; já anteciparam sua intenção de fazer campanha pelo “não” a uma nova grande coalizão com Merkel; que veem como causa de seu mau desempenho nas eleições de setembro.

Negociações

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que os conservadores enfrentaram negociações difíceis com os social-democratas (SPD) no domingo, em um esforço para formar uma coalizão governante, e não estava claro quando os dois partidos chegariam ao fim das negociações.

Mais de quatro meses após a eleição nacional, a maior economia da Europa e uma notável mediadora vive uma paralisia política, causando preocupação entre investidores e países parceiros de que a formulação de políticas em questões-chave como a iminente saída do Reino Unido da União Europeia e a reforma da zona do euro podem ficar comprometidas.

Os conservadores e o SPD estipularam o prazo até domingo para um acordo para a renovação da “grande coalizão” no governo desde 2013, mas alguns políticos disseram que as discussões podem ocorrer até segunda ou terça-feira – e depois disso os membros das bases do SPD ainda precisam aceitar quaisquer acordos.

– Ainda não é possível dizer quanto tempo vai levar – estabelecemos boas bases ontem, mas ainda há questões importantes que precisam ser resolvidas –  disse Merkel; no cargo há 12 anos, antes de entrar em negociações. As partes chegaram a acordos sobre energia e agricultura no sábado, mas continuam a disputar questões da saúde.

Merkel, que aposta no SPD para garantir seu quarto mandato no cargo;  acrescentou: “Eu vou negociar com boa vontade hoje, mas também acredito que vamos enfrentar negociações difíceis”.

SPD

O líder do SPD, Martin Schulz, disse que os partidos convergiram em relação a muitos problemas nos últimos dias; mas continuam em desacordo com a demanda de seu partido para abolir os contratos de prazos fixos para os trabalhadores e seu apelo; para substituir o sistema de saúde duplo público-privado da Alemanha por um sistema de assistência para todos.

As políticas de saúde e trabalhista são cruciais para o SPD, cujos 443 mil membros; muitos dos quais se opõem a formar outra coalizão complicada com Merkel; depois que seu partido sofreu o pior resultado do pós-guerra nas eleições de setembro; terão a chance de vetar qualquer acordo final da coalizão.

– Teremos que negociar muito, muito intensamente sobre essas questões hoje e acho que os acordos são possíveis; mas ainda não foram alcançados –  disse Schulz.

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