As angústias do Messias

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Publicado sexta-feira, 22 de maio de 2020 as 10:00, por: CdB

Outro dia, na entrada do Palácio Alvorada, Bolsonaro respondeu a pergunta de uma repórter a propósito da rápida progressão da covid-19 no Brasil: “Eu me chamo Messias, mas não faço milagres”.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Outro dia, na entrada do Palácio Alvorada, Bolsonaro respondeu a pergunta de uma repórter a propósito da rápida progressão da covid-19 no Brasil: “Eu me chamo Messias, mas não faço milagres”.

A catástrofe sanitária e a rápida explosão de famintos e desassistidos tende a ser muito mais forte do que a surrada cantilena de Jair Messias contra o isolamento
A catástrofe sanitária e a rápida explosão de famintos e desassistidos tende a ser muito mais forte do que a surrada cantilena de Jair Messias contra o isolamento

Para além da indiferença sarcástica do presidente para com o drama do povo, ele próprio se debate com problemas praticamente insolúveis em seu cotidiano de presidente da República sem noção da dimensão do cargo que ocupa.

Dentre estes, o crescimento exponencial dos óbitos, produzindo números aterrorizadores; o esgotamento próximo do auxilio emergencial e o incontornável isolamento político, já captado nas últimas pesquisas, perturbam o sono do presidente.

A catástrofe sanitária

A catástrofe sanitária e a rápida explosão de famintos e desassistidos tende a ser muito mais forte do que a surrada cantilena de Jair Messias contra o isolamento social e de “alerta” sobre suas consequências sobre as atividades econômicas, o emprego e o trabalho informal.

A dura realidade coloca em causa a sua própria capacidade. O que se espera de um governante é que governe. E que se não resolva plenamente os problemas, pelo menos os atenue.

Demais, carente de coesão na própria equipe ministerial e de uma base parlamentar confiável e apoiado em circunscrito segmento social minoritário, radicalizado e turbinado pelas milícias digitais, será capaz o ex-capitão de manter até o final do mandato?

Depende muito menos dele do que da resposta da sociedade.

Defesa e ataque

Por enquanto o jogo está travado no meio campo. Entre jogadas de defesa e ataque, o presidente combina a agressividade desmedida de sempre, agora salpicada com repetidas ironias e piadas sem graça, com a tentativa de atrair o “centrão” parlamentar com cargos e outras benesses.

Na oposição, claudicam líderes e correntes políticas ainda excessivamente voltadas para o próprio umbigo.

Se progredir uma convergência ampla e plural na resistência ao governo, conformada numa frente de salvação nacional, o desequilíbrio se acentuará e a interrupção do mandato do presidente será questão de tempo.

Luciano Siqueira, é Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

1 thought on “As angústias do Messias

  1. Bolsonaro é o messias das trevas ou seja é um tropeço atrás do outro, o seu desgoverno é um navio com o casco furado lotado de malfeitores com destino ao triângolo das bermurdas ou seja é um cminho sem volta.

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