Um ano para não esquecer

Arquivado em: Opinião, Últimas Notícias
Publicado terça-feira, 24 de dezembro de 2019 as 08:37, por: CdB

“Sem o que não tiraremos consequências do conjunto de recentes agressões contra o povo brasileiro”.

Por Eron Bezerra – de Brasília

Nós só podemos aprimorar uma ação positiva, ou corrigir outra negativa, se elas estiverem presente no nosso cotidiano. Por isso não podemos esquecer as barbaridades que em 2019 o governo cometeu contra nós.

Nós só podemos aprimorar uma ação positiva, ou corrigir outra negativa, se elas estiverem presente no nosso cotidiano
Nós só podemos aprimorar uma ação positiva, ou corrigir outra negativa, se elas estiverem presente no nosso cotidiano

Para evitar a repetição de erros é fundamentar não esquecer as causas que nos levaram a comete-los bem como jamais subestimar os adversários que agiram contra nós.

Diante de uma situação difícil, especialmente quando ela se prolonga, geralmente se costuma dizer que aquele é um ano, mês ou dia para se esquecer, numa vã tentativa de eliminar do calendário, por decreto, o período ao qual associamos nossos infortúnios.

Dentro dessa lógica, na qual experimentamos sucessivas derrotas e tragédias sociais e ambientais, o ano de 2019 teria tudo para ser proclamado como um ano para esquecer. Mas isso não é coerente.

O esquecimento significa que eliminamos de nossa memória determinadas ações que praticamos ou praticaram contra nós, logo jamais poderemos aprimora-los, se positivas, ou corrigi-las, se negativas.

O esquecimento

Assim, ao contrário, devemos proclamar 2019 como um ano para lembrar, jamais para esquecer, sem o que não tiraremos consequências do conjunto de recentes agressões contra o povo brasileiro; agressões que se iniciam com o golpe de 2016, avançam para um processo eleitoral forjado e se consolidam com a eleição de Bolsonaro, submisso aos Estados Unidos da América e inteiramente comprometido em governar para os ricos.

Como se sabe hoje, a partir das conversas entre Moro e Dallagnol, foi uma eleição preparada para assegurar a vitória da extrema direita, a partir de medidas objetivas: prisão do principal adversário, Lula, que por acaso era o 1º colocado em todas as enquetes; milhões de fake news foram ilegalmente disparadas a favor da extrema direita e contra as forças populares; o STF foi acintosamente intimidado por generais sequiosos em voltarem ao comando do país; e onde o eleitor foi induzido a votar contra a esquerda, não a favor de um projeto, de uma ideia. O resultado era previsível.

Terminado o pleito se iniciou outra sequência de tragédias. O governo governa para os ricos, como indicam todas as pesquisas de opinião, e para impedir que os seus sejam investigados, quanto mais molestados.

Momentos sombrios

A nossa soberania está sendo solapada, o país virou motivo de chacota nos fóruns internacionais, empresas essenciais estão sendo vilmente privatizadas, as tragédias ambientais se sucedem sem que o governo esboce qualquer atitude para evitar, a contrarreforma da previdência vai arrancar quase 1 trilhão de reais dos mais pobres para assegurar mais renda aos banqueiros, os programas sociais estão sendo dilapidados e a intolerância contra os mais pobres se avolumam.

Vivemos momentos sombrios, obscurantista, de ataque a ciência, ao ambiente e as liberdades democráticas. De forma sistemática a família Bolsonaro e alguns de seus ministros fazem aberta apologia a ditadura, a volta do AI-5 e mesmo a métodos de tortura como o pau-de-arara; defendem o fechamento do STF e do Congresso Nacional, insultam e retaliam os meios de comunicação e todos que não se vergam aos seus caprichos. Não há mais limites para tanta estupidez.

Eis porque é um ano para não esquecer pois só assim poderemos reagir a altura e construir reais alternativas para salvar o país, a democracia e a liberdade, a cada dia mais ameaçada.

 

Eron Bezerra, é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil