Apesar do casamento com o ‘Centrão’, presidente volta a negar que haja corruptos no governo

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Publicado quinta-feira, 29 de outubro de 2020 as 14:08, por: CdB

O discurso do presidente, para um pequeno grupo de seguidores, no entanto, cai no vazio. Há duas semanas, em uma operação sobre desvios de recursos da saúde em Roraima, a PF fez buscas na casa do senador Chico Rodrigues (DEM-RR).

Por Redação – de São Luís

Em visita ao Maranhão, nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a garantir que não existe corrupção em seu governo. Apesar do casamento com o ‘Centrão’, grupo parlamentar de centro-direita que reúne o maior número de deputados e senadores envolvidos em escândalos de corrupção no Legislativo federal, dessa vez o mandatário neofascista também incluiu; além dos ministros, os parlamentares aliados ao governo.

— Estamos fazendo mais com menos. E como disse o senador aqui, não existe uma só notícia de corrupção em nosso governo. Isso devemos obviamente pelos ministros e pelos parlamentares que trabalham em conjunto visando um só objetivo, o bem-estar do seu Estado e do nosso Brasil — afirmou Bolsonaro ao participar da inauguração de um trecho da BR-135, em São Luís. O início das obras ocorreu durante os governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Junto a um pequeno grupo de apoiadores, Bolsonaro cortou a fita em uma obra iniciada nos governo petistas
Junto a um pequeno grupo de apoiadores, Bolsonaro descerrou a fita em uma obra iniciada nos governo petistas

O discurso do presidente, para um pequeno grupo de seguidores, no entanto, cai no vazio uma vez que, há duas semanas, em uma operação sobre desvios de recursos da saúde em Roraima, a Polícia Federal fez buscas na casa do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), então vice-líder do governo no Senado e envolvido nas denúncias. Os policiais fizeram uma busca pessoal no senador ao desconfiar que ele escondia dinheiro nas roupas e encontraram cédulas na cueca e entre as nádegas de Rodrigues, no total de mais de R$ 30 mil.

Lava Jato

Após o novo escândalo, Bolsonaro exonerou o senador da vice-liderança, enquanto aliados tentavam distanciar o governo do escândalo. Alegaram que parlamentares, mesmo sendo vice-líderes, não eram parte do governo, com o que concordou o presidente. Já na noite passada, em uma longa conversa com apoiadores, Bolsonaro justificou a proximidade com o ‘Centrão’ e afirmou que esta é “a regra do jogo” em Brasília.

— Alguns criticam que estou me aproximando de determinados partidos. Deputados são 513. Para aprovar uma emenda constitucional precisa de 308 votos. Me aponte os 308 que eu tenho que conversar com eles. Não me critica ‘ah, se aproximou de tal pessoa que não presta’. Eu preciso desse voto para aprovar as coisas que interessam para a gente. Como é que vou fugir dele? — questionou o presidente, para responder em seguida: “Essa é a regra do jogo”.

Depois de criar uma relação de confronto direto com o Congresso pela maior parte de seus quase dois anos de governo, Bolsonaro foi convencido por aliados a baixar o tom e se aproximar das siglas do chamado centrão para preservar seu mandato e facilitar a aprovação de medidas propostas no Congresso.

Nos últimos meses, o presidente trocou o líder do governo na Câmara, tirando Vitor Hugo (PSL-GO), com que tinha bastante proximidade mas que tinha dificuldades de relacionamento na Câmara, pelo deputado veterano Ricardo Barros (PP-PR). Em seguida, ofereceu cargos de segundo e terceiro escalão no governo para os partidos do ‘Centrão’ e passou a ter entre seus principais conselheiros o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Arthur Lira (PP-AL), ambos investigados na Operação Lava Jato.

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