Após 17 prisões, governo basco aconselha ETA a abandonar luta

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Publicado terça-feira, 16 de novembro de 2004 as 20:49, por: CdB

O governo basco sugeriu na terça-feira à guerrilha separatista ETA que abandone a violência, ampliando a pressão política sobre o grupo, já severamente enfraquecido.

O apelo foi feito depois que a polícia prendeu 17 supostos militantes do ETA no norte da Espanha. Só neste ano, mais de cem suspeitos foram detidos na Espanha e na França.

Cerca de 150 policiais prenderam uma rede que supostamente fornecia infra-estrutura, apoio e informações ao ETA, segundo as autoridades. “Eles formam os olhos e ouvidos dessa infra-estrutura (do ETA)”, disse o ministro do Interior, José Antonio Alonso, a jornalistas.

O ETA (“Pátria Basca e Liberdade,” no idioma basco) já matou cerca de 800 pessoas desde que surgiu, em 1968, mas nos últimos anos há sinais de que alguns de seus membros defendem abandonar a violência.

Havia especulações de que o proscrito partido nacionalista basco Batasuna — apontado como braço político do ETA — condenaria a violência em um aguardado anúncio no domingo.

Mas o Batasuna propôs apenas negociações de paz, de forma que o governo regional decidiu emitir seu próprio apelo ao ETA, segundo o vice-governador Miren Azkarate. O País Basco, no nordeste da Espanha, é governado pelo moderado Partido Nacionalista Basco.

– O ETA é conclamado a declarar publicamente ao povo basco que definitivamente abdica da violência para atingir seus objetivos políticos – disse Azkarate.

O Partido Socialista Operário Espanhol (governista) vem pedindo ao Batasuna que condene a violência, o que seria uma pré-condição para que ele seja novamente legalizado. A Justiça espanhola proibiu as atividades do partido em 2002, porque seus líderes se recusavam a condenar as ações do ETA.

Os políticos parecem estar se aproveitando da aparente fragilidade do ETA, grupo qualificado como terrorista por Espanha, União Européia e Estados Unidos.

Entre 2000 e 2003, a polícia deteve 650 membros ou colaboradores do ETA, a maioria na Espanha e na França. Nesse período, o número de assassinatos cometidos pelo grupo caiu de 23 para 3. Há 17 meses não há nenhum atentado com vítimas fatais.

No final de outubro, o ETA disse em carta à TV basca que estava aberto para negociações com Madri. Pouco depois, seis militantes presos teriam pedido ao grupo que abandone a luta armada.

O governo socialista, como seu antecessor conservador, descarta qualquer negociação com o ETA.