Apple desistiu de plano para criptografar backups após reclamações do FBI, dizem fontes

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Publicado terça-feira, 21 de janeiro de 2020 as 12:39, por: CdB

A Apple desistiu de seus planos para permitir que usuários do iPhone criptografem totalmente os backups de seus dispositivos no serviço iCloud.

Por Redação, com Reuters – de São Francisco/Bruxelas

A Apple desistiu de seus planos para permitir que usuários do iPhone criptografem totalmente os backups de seus dispositivos no serviço iCloud, depois que o FBI reclamou que a medida prejudicará suas investigações, disseram seis fontes familiarizadas com o assunto à agência inglesa de notícias Reuters.

A Apple desistiu de seus planos para permitir que usuários do iPhone criptografem totalmente os backups de seus dispositivos
A Apple desistiu de seus planos para permitir que usuários do iPhone criptografem totalmente os backups de seus dispositivos

A decisão da gigante de tecnologia, há cerca de dois anos, não foi relatada anteriormente. Ela mostra o quanto a Apple está disposta a ajudar as autoridades e agências de inteligência dos EUA, apesar de enfrentar uma disputa mais dura com o governo e se apresentar como defensora dos dados de seus clientes.

O longo conflito sobre segurança entre os investigadores e o desejo das empresas de tecnologia pela privacidade dos usuários voltou aos holofotes na semana passada, quando o procurador-geral dos EUA, William Barr, pediu publicamente para a Apple desbloquear dois iPhones usados por um oficial da Força Aérea Saudita que matou três norte-americanos em uma base naval de Pensacola, Flórida, no mês passado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou a Apple no Twitter de se recusar a desbloquear telefones usados por “assassinos, traficantes de drogas e outros elementos criminosos violentos”. Senadores republicanos e democratas fizeram discursos semelhantes em uma audiência de dezembro, ameaçando passar uma lei contra a criptografia de ponta a ponta, citando evidências irrecuperáveis de crimes contra crianças.

De fato, a Apple entregou os backups do iCloud do assassino no caso Pensacola e disse que rejeitou a caracterização de que “não forneceu assistência substancial”.

Um porta-voz da Apple se recusou a comentar sobre como a empresa lidou com o problema de criptografia ou sobre os conflitos que teve com autoridades. O FBI não respondeu aos pedidos de comentários sobre o assunto.

Mais de dois anos atrás, a Apple disse ao FBI que planejava oferecer aos usuários criptografia de ponta a ponta ao armazenar seus dados no iCloud, de acordo com um atual e três ex-funcionários do FBI e um atual e um ex-funcionário da Apple.

Segundo esse plano, projetado principalmente para impedir hackers, a Apple não teria mais uma chave para desbloquear os dados criptografados, o que significa que não seria capaz de entregar material às autoridades de forma legível, mesmo sob ordem judicial.

iPhone

Em conversas particulares com a Apple logo depois, representantes do FBI se opuseram ao plano, argumentando que isso os negaria os meios mais eficazes para obter evidências contra suspeitos que utilizam o iPhone, disseram fontes do governo.

Quando a Apple falou em particular ao FBI sobre seu trabalho em segurança no ano seguinte, o plano de criptografia de ponta a ponta havia sido cancelado, de acordo com as seis fontes. À Reuters não conseguiu determinar por que exatamente a Apple abandonou o plano.

“O jurídico matou o plano, por razões que você pode imaginar”, disse outro funcionário da Apple, sem nenhuma menção específica do motivo pelo qual o plano foi retirado ou se o FBI foi um fator na decisão.

“Eles decidiram que não iriam mais cutucar o urso”, disse a pessoa, referindo-se à batalha judicial da Apple com o FBI em 2016 pelo acesso a um iPhone usado por um dos suspeitos em um tiroteio em massa em San Bernardino, Califórnia.

FBI

A Apple recorreu de uma ordem judicial para desbloquear um iPhone para o FBI. O governo desistiu do processo quando encontrou um terceiro que poderia invadir o telefone, uma ocorrência comum nas investigações do FBI.

Dois dos ex-funcionários do FBI, que não estavam presentes nas negociações com a Apple, disseram à Reuters que parece que os argumentos do FBI de que os backups fornecem evidências vitais em milhares de casos prevaleceram.

Depois que a decisão foi tomada, os 10 especialistas no projeto de criptografia da Apple, chamados de Plesio e KeyDrop, receberam ordens para parar de trabalhar na iniciativa, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto à Reuters.

Inteligência artificial

O presidente-executivo da Alphabet, Sundar Pichai, defendeu na segunda-feira que as autoridades adotem um “tratamento proporcional” ao elaborarem regras para a inteligência artificial, dias antes da Comissão Europeia publicar suas propostas para a tecnologia.

Reguladores ao redor do globo estão buscando legislar sobre a inteligência artificial, procurando encorajar a inovação, mas tentando impedir seu uso indevido, em um momento em que companhias e agências governamentais adotam cada vez mais a tecnologia.

Pichai disse que não há dúvidas de que a IA precisa ser regulada, mas defendeu que os legisladores tenham cuidado.

– A regulação precisa assumir um tratamento proporcional, equilibrando os potenciais riscos com oportunidades sociais – disse o executivo em comentários preparados para uma conferência em Bruxelas organizada pelo centro de estudos Bruegel.

Os reguladores devem adaptar as regras de acordo com diferentes setores, disse Pichai, citando dispositivos médicos e carros autônomos que exigem diferentes normas. Ele também defendeu que os governos alinhem suas regras e cheguem a um conjunto de valores centrais sobre a tecnologia.

A Comissão Europeia está assumindo uma posição mais linha dura sobre a IA do que os Estados Unidos, procurando fortalecer regras atuais que protegem privacidade dos cidadãos europeus, segundo uma proposta de 18 páginas vista pela Reuters.

Neste mês, o governo dos EUA publicou diretrizes regulatórias sobre IA que limitam poderes de autoridades e pediu para a Europa evitar uma abordagem agressiva.

Pichai disse que é importante ter clareza sobre o que pode dar errado com a IA e que apesar da tecnologia prometer enormes avanços há preocupações reais sobre potenciais consequências negativas.

Uma área de risco é a chamada “deep fakes”, vídeos e arquivos de áudio manipulados com ajuda de IA. Pichai disse que o Google publicou conjuntos de dados abertos para ajudar a comunidade de pesquisa a criar melhores ferramentas de detecção de tais conteúdos mentirosos.

Outro motivo de preocupação é a tecnologia de reconhecimento facial, que Pichai disse que pode ser usada sob “objetivos nefastos”.

Pichai afirmou que o Google Cloud não está oferecendo ferramentas de uso geral para programação de interfaces (APIs) de aplicativos de reconhecimento facial enquanto estabelece políticas e instrumentos de salvaguarda.

Porém, o presidente da Microsoft, Brad Smith, citou benefícios da tecnologia de reconhecimento facial, como em casos específicos de ajudar a encontrar crianças desaparecidas. “Só há um único jeito de tornar a tecnologia melhor e este jeito é usá-la”, disse Smith.

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