Aras é confrontado por suspeita de não abrir um processo contra o presidente

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Publicado sexta-feira, 9 de julho de 2021 as 17:22, por: CdB

Subprocurador e vice-presidente do Conselho, José Bonifácio havia determinado que o processo fosse adiante para que, em seguida, chegasse a julgamento. Dirigentes do Conselho encaminharam o processo diretamente para Humberto Jacques, em lugar de distribuí-lo, aleatoriamente, a um conselheiro.

Por Redação – de Brasília

Vice-procurador-Geral da República, Humberto Jacques de Medeiros confirmou, nesta sexta-feira, ter recebido uma convocação por parte da Justiça Federal do Distrito Federal para que apresente, no prazo de 72 horas, os esclarecimentos necessários quanto a um despacho secreto que paralisou pedido de apuração contra o procurador-Geral, Augusto Aras.

O procurador-geral Augusto Aras tem sido complacente com o presidente da República, Jair Bolsonaro
O procurador-geral Augusto Aras tem sido complacente com o presidente da República, Jair Bolsonaro

A notícia, veiculada pela mídia conservadora, teria gerado um embate dentro da Procuradoria-Geral da República (PGR) entre os atuais dirigentes da autarquia e parte do Conselho Superior do Ministério Público Federal, favorável ao prosseguimento de um pedido de investigação feito pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Fabiano Contarato (Rede-ES) contra Aras. O procurador-geral é acusado de omissões na fiscalização do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

Subprocurador e vice-presidente do Conselho, José Bonifácio havia determinado que o processo fosse adiante para que, em seguida, chegasse a julgamento. Dirigentes do Conselho encaminharam o processo diretamente para Humberto Jacques, em lugar de distribuí-lo, aleatoriamente, a um conselheiro. Jacques proferiu um despacho secreto, sem que houvesse o sigilo no processo, e, depois disso, o processo caiu no esquecimento.

Indicação

Aras espera ser reconduzido ao cargo de procurador-geral da República (PGR), uma vez que se encontra fora da disputa por uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Antes da recondução, no entanto, “é pouco provável que o PGR abra um processo contra o presidente. De seu ponto de vista, na verdade, faria pouco sentido”, escreveu em artigo publicado nesta sexta-feira o cientista político Fábio Kerche, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

“Depois de passar o mandato inteiro se equilibrando e protegendo Bolsonaro, abrir confronto contra o chefe do Executivo agora seria jogar fora uma recondução garantida à Procuradoria-Geral ou, embora menos provável, uma indicação ao Supremo”, acrescentou.

Ainda segundo Kerche, “o modelo de indicação adotado por Bolsonaro para a chefia do Ministério Público da União atrelou o PGR aos desejos do presidente”.

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