Argentina: BC reduz limite de compra a US$200 por mês

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Publicado segunda-feira, 28 de outubro de 2019 as 10:46, por: CdB

Após a derrota de Macri, o banco central ajustou de forma dramática os controles cambiais, até dezembro.

Por Redação, com Reuters – de Buenos Aires

O banco central da Argentina afirmou na madrugada desta segunda-feira que determinou um limite de compra de US$ 200 por mês através de contas bancárias e de US$ 100 por mês para a aquisição em dinheiro, em uma tentativa de evitar que suas reservas internacionais continuem caindo.

A medida foi apresentada horas depois de divulgado o triunfo do peronista Alberto Fernández, da oposição, nas eleições presidenciais de domingo
A medida foi apresentada horas depois de divulgado o triunfo do peronista Alberto Fernández, da oposição, nas eleições presidenciais de domingo

Após a derrota sofrida no domingo pelo presidente Mauricio Macri nas eleições em que buscava a reeleição, o banco central ajustou de forma dramática os controles cambiais, até dezembro, ante o limite anterior de US$ 10 mil por mês que vigorava até então para lidar com a crise financeira.

“Diante do grau de incerteza atual, a diretoria do banco central decidiu tomar neste domingo uma série de medidas que buscam preservar as reservas do banco central”, disse a autoridade monetária em comunicado.

A medida foi apresentada horas depois de divulgado o triunfo do peronista Alberto Fernández, da oposição, nas eleições presidenciais de domingo.

A incerteza política havia começado após as primárias de agosto, quando uma arrasadora vitória de Fernández gerou forte queda do peso, o que forçou o governo a limitar o acesso a dólares.

Apesar dos controles, na última semana a autoridade monetária teve que liberar US$ 1,6 bilhão de suas reservas para conter a queda do peso.

Títulos argentinos despencam

Os bônus argentinos em dólar recuavam nesta segunda-feira, à medida que os investidores se preocupavam com as consequências para a economia nacional e o ônus da dívida depois que Alberto Fernández venceu o presidente Mauricio Macri nas eleições.

O resultado eleitoral deste domingo desloca a Argentina firmemente de volta para a esquerda, depois de ter sido atingida por uma crise econômica.

O título internacional em dólar de referência, com prazo em 2028, caía até 1,3 centavo para 39,33 centavos de dólar, seu nível mais baixo desde o início do mês, segundo dados da Refinitiv.

Com quase todos os votos contados, Fernández teve cerca de 48% dos votos, contra 40% para Macri – uma margem ampla o suficiente para vencer. O resultado foi melhor para Macri em relação à derrota esmagadora sofrida nas primárias de agosto, que provocou um colapso do mercado.

– O resultado foi amplamente antecipado e não tem muita relevância se Macri teve um desempenho melhor do que o esperado – disse Gabriel Sterne, chefe de macro-pesquisa global da Oxford Economics.

– A Argentina está caminhando para um ‘default’ e agora haverá negociações complicadas com o FMI, que corre um risco enorme no jogo e está desesperado para proteger seus recursos, e com os detentores de títulos – disse.

Outros economistas disseram que o impacto no mercado pode ser amortecido por um resultado melhor do que o esperado de Macri.

Alberto Fernández e Macri devem se reunir nesta segunda-feira para discutir a transição política argentina, uma medida que pode ajudar a acalmar os mercados.