Assad descreve operação da Turquia como ‘agressão evidente’

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Publicado quinta-feira, 17 de outubro de 2019 as 13:22, por: CdB

O presidente da Síria, Bashar al Assad qualificou a operação turca no norte do país como “criminosa”.

Por Redação, com EFE – de Beirute

O presidente da Síria, Bashar al Assad qualificou a operação turca no norte do país como “criminosa” e afirmou que seu país responderá à invasão das forças turcas com “todos os meios legítimos”.

O presidente da Síria, Bashar al Assad qualificou a operação turca no norte do país como
O presidente da Síria, Bashar al Assad qualificou a operação turca no norte do país como “criminosa”

Nós “responderemos a isso e enfrentaremos isso, de todas as maneiras, em qualquer lugar da Síria, utilizando todos os meios legítimos que temos à disposição”, afirmou Assad ao conselheiro de Segurança Nacional iraquiano, Faleh al-Fayad.

– A agressão criminosa turca realizada pelo regime de Erdogan na Síria (…) é um ataque evidente, ao qual a Síria já respondeu em diversos locais, atacando agentes dos turcos e seus terroristas – ressaltou.

Desde a invasão turca no norte da Síria, que se iniciou no dia 9 de outubro, dezenas de civis foram mortos e aproximadamente 300 mil pessoas estão deslocadas, segundo uma comissão de Direitos Humanos britânica baseada na Síria.

No domingo, Damasco fechou um acordo com as forças curdas, que resultou nas tropas da Síria se posicionando em partes do nordeste do país controladas pelos curdos.

Esta é a maior operação de movimentação de tropas realizada pelas Forças Armadas na região desde 2012.

Erdogan zomba da rapidez de Trump

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, zombou da rapidez em tweetar do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que está enviando sinais contraditórios sobre a operação militar da Turquia no nordeste da Síria.

A atitude de Donald Trump em relação à defensiva turca na Síria tem sido aparentemente instável, com abertura do caminho para a operação ao retirar as tropas norte-americanas da região e, posteriormente, ao sancionar Turquia à medida que a ofensiva avançava.

– Quando damos uma olhada nas postagens do senhor Trump no Twitter, não dá mais para segui-las. Não dá para acompanhar – zombou Erdogan da rapidez do presidente norte-americano em escrever sobre o que está acontecendo no nordeste da Síria.

As palavras do presidente turco, que estava regressando de uma cúpula no Azerbaijão, foram citadas pelo jornal Hurriyet.

Erdogan parecia estar se referindo a uma série de tweets em que Donald Trump primeiro defendeu a retirada de mil soldados americanos de posições cruciais no nordeste da Síria, efetivamente dando luz verde a uma operação turca, e depois aplicou sanções a Ancara.

A Casa Branca anunciou abruptamente a saída militar dos EUA no dia seis deste mês. Três dias depois, as forças turcas lançaram uma operação contra forças curdas (anteriormente apoiadas pelos EUA) ao longo da fronteira com a Síria e no interior do país árabe.

Os curdos eram até então aliados-chave da coalizão ocidental liderada pelos EUA na luta contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em muitos outros países), mas são vistos como terroristas na Turquia, que os relaciona ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma insurreição com décadas de existência destinada a estabelecer a autonomia curda.

O objetivo declarado da ofensiva é estabelecer uma zona tampão na área e acomodar até três milhões de refugiados sírios que estão atualmente na Turquia. O governo sírio vê esses planos, bem como a ofensiva turca em curso, como uma violação agressiva de sua soberania; a comunidade internacional também tem sido muito crítica em relação à operação.

Trump há muito que prometeu retirar os Estados Unidos das operações militares em todo o mundo, mas a sua última decisão na Síria suscitou preocupações em Washington de que isso iria minar a credibilidade norte-americana e trazer mais caos à área já volátil.

O presidente dos EUA pareceu tentar justificar sua decisão em vários tweets na semana passada. Em uma postagem, no entanto, ele prometeu “atingir a Turquia com muita força financeira” se ela “não cumprir as regras”.

A Turquia vem planejando atacar os curdos há muito tempo. Eles têm lutado desde sempre. Não temos soldados ou militares perto da área de ataque. Estou tentando acabar com as GUERRAS SEM FIM. Estou falando para ambos os lados. Alguns querem que enviemos dezenas de milhares de soldados, para a área e comecemos uma guerra novamente. A Turquia é membro da OTAN. Outros dizem AFASTAM-SE, deixem os curdos travarem suas próprias batalhas (mesmo com a nossa ajuda financeira). Eu digo: atacar a Turquia com muita força financeira e com sanções se eles não cumprirem as regras! Estou observando de perto.

Em outro tweet ele enfatizou que turcos e curdos devem lutar sozinhos.

…Os Curdos e a Turquia lutam há muitos anos. A Turquia considera o PKK o pior de todos os terroristas. Outros podem querer entrar e lutar por um lado ou pelo outro. Deixe-os! Estamos acompanhando de perto a situação. Guerras sem fim!

As medidas militares da Turquia levaram os curdos a chegar rapidamente a um acordo com o governo de Bashar Assad, cujas forças já entraram no território detido pelos curdos, que estava fora do seu controle há anos, para se defenderem da ofensiva da Turquia.

Em 14 de outubro, o presidente dos Estados Unidos escreveu que os norte-americanos “derrotaram 100% o Daesh”.

Depois de derrotar 100% do califado do Daesh, retirei em grande parte as nossas tropas da Síria. Que a Síria e Assad protejam os curdos e lutem contra a Turquia por sua própria terra. Eu disse aos meus generais, por que devemos lutar pela Síria…

Em seguida exibe desinteresse por quem proteger os curdos…. e Assad para proteger a terra do nosso inimigo? Qualquer um que queira ajudar a Síria a proteger os curdos é bom comigo, seja Rússia, China ou Napoleão Bonaparte. Espero que todos se saiam muito bem, estamos a 7 mil milhas (11.265.408 km) de distância!

No dia seguinte, o presidente dos EUA emitiu uma ordem executiva autorizando sanções contra a Turquia e bloqueando as negociações sobre um acordo comercial de US$ 100 bilhões (R$ 415 bilhões). A lógica era que o governo de Erdogan deve ser punido por “pôr em perigo os civis e ameaçar a paz, a segurança e a estabilidade na região”.

Falando a parlamentares na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Turquia sugeriu que Trump tinha avançado com as sanções “sob a pressão de fatores internos” e prometeu dar resposta recíproca.