Atenção à escolha do alvo principal

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Publicado sexta-feira, 2 de março de 2018 as 09:57, por: CdB

Parece óbvio, mas não é. Empunhar a metralhadora giratória e atacar a todos indiscriminadamente é grave erro na luta política. No mínimo leva ao isolamento — e, em consequência, ao enfraquecimento e à derrota

Por Luciano Siqueira – de Fortaleza:

Essa atitude kamikaze é de uma inconsequência ridícula. Entretanto, no ambiente de crise em que vivemos, na esteira do que muitos consideram “autocrítica” necessária em relação a alianças ao centro, está em voga.

Atenção à escolha do alvo principal

Ora, tomando como referência os governos Lula e Dilma, frutos de vitórias eleitorais obtidas através de alianças amplas; o erro nunca esteve na amplitude e na pluralidade dos apoios; mas na condução política.

Ainda no segundo governo Lula, quando o presidente e o seu partido enfim compreenderam o peso do PMD; como grande agremiação centrista, se errou na dose. Peemedebistas passaram à condição de aliados preferenciais; e se desfez o incipiente porém útil núcleo de esquerda; que reunia o próprio PT, o PCdoB e o PSB e, eventualmente, o PDT.

Isso teve repercussões importantes no âmbito do governo e no Parlamento. Seja no que se refere ao conteúdo de importantes políticas públicas; seja mesmo na relação do governo com o conjunto da sociedade.

Dilma

Mas negar a absoluta necessidade de alianças amplas é grave equívoco. Como algumas correntes políticas o fazem agora; lendo equivocadamente o desenrolar dos acontecimentos; que levaram ao impeachment da presidenta Dilma e ao tenebroso quadro atual.

Assim, na fase atual da resistência democrática, ainda carente de largueza e solidez; o passo dado pelas fundações de estudos e pesquisas do PT, PCdoB, PDT e PSB ao lançarem manifesto em defesa da soberania do país; da democracia e dos direitos do povo; indicativo de elementos essenciais de um programa de superação da crise; contribui inclusive como antídoto ao sectarismo inconsequente.

O manifesto pauta as oposições. Serve de referência também à construção de coalizões no âmbito dos Estados; ao sinalizar um diálogo com todas as forças e personalidades interessados na agenda proposta.

Debate

O que muita gente ainda não compreende é que entre o debate e o combate frontal há uma diferença; que se relaciona com a acolha do alvo principal do ataque. “Demarcar posições” em relação a possíveis aliados e arrefecer ou se descuidar do enfrentamento da força emergente à direita é embaralhar as relações e confundir o povo.

A História consolidou a percepção de que em toda batalha há que se identificar o alvo principal, neutralizar forças que porventura seja impossível atrair para o nosso campo (explorando contradições nas hostes “inimigas”), agregar todas as forças possíveis de serem atraídas (inclusive aliados meramente temporários e circunstanciais) e, se possível, constituir ampla coalizão conduzida por um núcleo de esquerda.

Nem sempre as coisas acontecem exatamente de acordo com esse postulado. Mas é preciso tentar.

Luciano Siqueira, é médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB.

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