Atitude errática diante de crises derruba conceito de Bolsonaro

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Publicado segunda-feira, 23 de março de 2020 as 17:11, por: CdB

Além disso, 27% entendem Bolsonaro nunca se comporta, adequadamente, diante dos desafios diante do qual a nação se encontra, 20% avaliam que isso ocorre algumas vezes.

Por Redação – de Brasília e São Paulo

A atuação desencontrada do presidente Jair Bolsonaro na crise gerada pela pandemia do novo coronavírus recebe aprovação de um número cada vez menor de brasileiros. Pesquisa do Instituto DataFolha, divulgada nesta segunda-feira, revela que os governadores têm melhor avaliação do que o presidente, pela forma como lidam com a epidemia.

Na mensagem em que divulga o resultado negativo no teste para o novo coronavírus, Bolsonaro repete a foto em que deu uma banana para os jornalistas brasileiros
Presidente dá uma banana aos brasileiros e diz que pandemia não passa de uma ‘gripezinha’

De acordo com o DataFolha, é aprovada por 35% e rejeitada por 33% e 26% dos entrevistados avaliam como regular o desempenho de Bolsonaro. O mandatário neofascista afirma que há um exagero no temor com a pandemia, que classifica como “uma gripezinha”, e critica as medidas restritivas adotadas por governadores. O instituto apontou que 54% dos entrevistados aprovam o desempenho dos chefes de governo estaduais na crise.

A pesquisa mostrou ainda que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também tem melhor avaliação que Bolsonaro no combate à epidemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Para 55%, a atuação do ministro é ótima ou boa, ao passo que 31% a consideram regular e 31%, ruim ou péssima.

‘Histeria’

Além disso, 27% entendem Bolsonaro nunca se comporta, adequadamente, diante dos desafios diante do qual a nação se encontra, 20% avaliam que isso ocorre algumas vezes e para 26% ele nunca se comporta de forma adequada na crise. Há uma parcela de 20% que consideram que Bolsonaro sempre se comporta de forma adequada em relação ao coronavírus,

O presidente tem afirmado que há uma “histeria” e um exagero nas preocupações com a doença, que já matou 25 pessoas no Brasil e tem 1.546 casos confirmados no país, segundo balanço de domingo, e criticado os governadores por medidas restritivas que adotaram na tentativa de conter a disseminação do vírus. Em entrevista na noite de domingo, Bolsonaro disse que os chefes de Executivo estaduais são “exterminadores de empregos”.

O Datafolha ouviu 1.558 pessoas por telefone, por causa da pandemia de coronavírus, entre quarta e sexta-feira. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

Atitude correta

Medidas de restrição à circulação de pessoas adotadas por Estados e municípios para reduzir a disseminação do coronavírus no país são apoiadas pela maioria da população, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada neste domingo.

A quarentena temporária, como a que foi decretada no Estado de São Paulo pelo governador João Doria com duração de 15 dias, tem o apoio de 73%, enquanto apenas 24% a rejeitam, de acordo com a pesquisa do DataFolha.

Outras medidas têm apoio ainda maior da população. A suspensão de eventos com mais de 100 pessoas é aprovada por 95%; a suspensão de viagens de avião para outros países tem apoio de 94%; e a suspensão de aulas nas escolas, de viagens e o fechamentos de fronteiras receberam o apoio de 92% dos entrevistados.

Missas e cultos

As medidas de restrição de circulação adotadas pelos Estados têm sido criticadas pelo presidente Jair Bolsonaro, que chegou a chamar governadores de irresponsáveis por estarem provocando desemprego ao determinarem o fechamentos de estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais à população.

Mais de 80% dos entrevistados disseram ser a favor da suspensão de cultos e missas — medida que também foi criticada por Bolsonaro.

A pesquisa Datafolha, que ouviu 1.558 pessoas entre os dias 18 e 20 de março, por telefone, apontou ainda que 74% da população tem medo de ser infectada pelo novo coronavírus, sendo que 36% disseram ter muito medo e 38% disseram ter um pouco de medo. Apenas 26% disseram não ter medo.

O Datafolha explicou que realizou a pesquisa por telefone para evitar contato pessoal entre pesquisadores e entrevistados devido ao risco de contaminação. O levantamento tem margem de erro de 3 pontos percentuais.

Reação

Diante dos números apresentados pela pesquisa, Bolsonaro se mostrou irritado, mais uma vez, com os jornalistas que o abordam diariamente, pela manhã, à saída do Palácio da Alvorada.

— A imprensa é importantíssima para divulgar a verdade, mas não é com pergunta como essa, feita por essa senhora (repórter0 aqui do meu lado. É uma pergunta impatriótica, que vai na contramão do interesse do Brasil, que leva ao descrédito da imprensa brasileira. É uma pergunta, me desculpe, infame até — esbravejou o mandatário neofascista.

Ainda segundo o presidente, quem estiver incomodado com sua forma de tratar a imprensa, deve evitar o contato.

— Vão dizer que estou agredindo a imprensa, se estou agredindo, saiam da frente do Alvorada — completou.

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