Atitude de Trump degrada imagem já desgastada do aliado brasileiro

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Publicado segunda-feira, 25 de maio de 2020 as 15:34, por: CdB

A determinação do governo do presidente Donald Trump, válida a partir desta segunda-feira, proíbe estrangeiros de viajar aos EUA, caso tenham estado no Brasil nas últimas duas semanas.

Por Redação, com agências internacionais – de Washington e São Paulo

Ex-ministro das Relações Exteriores, o diplomata Celso Amorim avaliou, nesta segunda-feira, que o anúncio da proibição da entrada de estrangeiros nos Estados Unidos que estiveram no Brasil, determinada na noite passada, trata-se da “demonstração cabal do total fracasso de uma política externa de absoluta submissão à Washington”.

O ex-chanceler Celso Amorim alerta para os riscos da colaboração com os EUA nesse nível
O ex-chanceler Celso Amorim alerta para os riscos da colaboração incondicional com os EUA

— Nenhuma recompensa. Nenhum toma lá, da cá. É só toma lá e não dá cá — disse o ex-chanceler, a jornalistas.

A determinação do governo do presidente Donald Trump, válida a partir desta segunda-feira, proíbe estrangeiros de viajar aos EUA, caso tenham estado no Brasil nas últimas duas semanas. Por meio de um decreto, a Casa Branca informou que “a ação vai ajudar a garantir que estrangeiros que estiveram no Brasil não se tornem uma fonte adicional de infecções em nosso país”.

Epicentro

O Brasil ocupa, atualmente, a segunda posição no ranking mundial de confirmações da Covid-19 (365 mil casos), atrás apenas dos EUA (1,6 milhão). São 22,7 mil mortes provocadas pela doença entre os brasileiros (sexto lugar no ranking global de óbitos por coronavírus.

No exterior, repercutem negativamente as imagens do caos social, no Brasil, diante da incapacidade do governo para impedir o avanço da pandemia. A imagem de caixões e hospitais desabastecidos tornou-se comum na imprensa estrangeira. O país rompeu, na semana passada, o patamar de mais de mil mortes diárias. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil chega, rapidamente, ao epicentro da covid-19, no mundo. 

Para a mídia estrangeira, o Brasil é visto como um país governado por um presidente que dá respostas contraditórias à pandemia. Os efeitos concretos dessa percepção já se refletem na economia. No exterior, o Brasil é visto como um país que ruma para o precipício.

Fracasso

Desde o início do ano, o real foi a moeda que mais se desvalorizou no mundo, com queda de 45% ante o dólar. A despeito das intervenções diárias do Banco Central, a cotação da moeda americana encostou nos R$ 6. No mesmo período, o CDS (Credit Default Swap), indicador que sinaliza o nível de risco país, cresceu mais de 250%. 

Já ocorre também a debandada de investimentos estrangeiros. Segundo o último relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que reúne bancos de investimento, fundos e bancos centrais em 70 países, o Brasil registrou em março a maior fuga de capital em um mês desde 1995 e é o país que mais merece atenção, por causa da rápida deterioração do cenário. 

Em linha com a tendência de fracasso, nos campos político e econômico, o diário britânico Financial Times publicou, nesta segunda-feira, um artigo que acusa o presidente Jair Bolsonaro de ser responsável por levar o Brasil a ser o novo epicentro da pandemia do coronavírus.

Palhaçadas

Assinada pelo jornalista Gideon Rachman, a publicação do Financial Times diz que a atuação de Jair Bolsonaro no combate à pandemia da covid-19 é semelhante à posição do presidente norte-americano Donald Trump no que diz respeito ao apoio do uso da cloroquina, mas destaca que a abordagem de Bolsonaro é “ainda mais irresponsável e perigosa”.

“Ambos os líderes ficaram obcecados com as propriedades supostamente curativas da droga antimalárica hidroxicloroquina. Mas enquanto Trump está apenas tomando o produto, Bolsonaro forçou o Ministério da Saúde brasileiro a emitir novas diretrizes, recomendando o medicamento para pacientes com coronavírus”, diz o texto.

Ainda segundo o colunista, o “Brasil já está pagando um preço alto pelas palhaçadas de seu presidente” e “as coisas estão piorando rapidamente”. Lembrando que o Brasil tem a segunda maior taxa de infecção do mundo e a sexta maior taxa de mortes por covid-19, o artigo destaca que o número de mortes no país atualmente vem dobrando a cada duas semanas.

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