Ativistas protestam em SP contra projeto de abstinência sexual

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Publicado quarta-feira, 7 de julho de 2021 as 14:31, por: CdB

Grupos feministas realizaram um ato em São Paulo, em frente à Câmara Municipal, contra um projeto de lei (PL) que visa promover a abstinência sexual entre os adolescentes. O PL propõe criar a “Semana Escolhi Esperar” nas escolas com atividades focadas na prevenção à gravidez precoce.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

 Na tarde des terça-feira, grupos feministas realizaram um ato em São Paulo, em frente à Câmara Municipal, contra um projeto de lei (PL) que visa promover a abstinência sexual entre os adolescentes. O PL propõe criar a “Semana Escolhi Esperar” nas escolas com atividades focadas na prevenção à gravidez precoce. Segundo organizadoras do ato, o projeto está fortemente ligado aos interesses religiosos e não à educação e à saúde dos jovens.

Ato em frente à Câmara: orientação religiosa não pode se tornar objeto de políticas públicas

O protesto foi inspirado no livro O Conto da Aia, em que as personagens existem exclusivamente para procriar e não possuem direito de escolha sobre seus corpos.

Segundo Tabata Tesser, ativista da organização Católicas pelo Direito de Decidir, o projeto de lei, assim como no livro, propõe a dominação do estado sobre os corpos de meninas e mulheres.

– O projeto visa à dominação pelo Estado e por meio de políticas fundamentalistas que violam o Estado Laico, condenando a sexualidade e os corpos das mulheres a uma ordem. As mulheres foram na frente da Câmara Municipal dizer que não vão aceitar essa castidade forçada como política pública – afirmou Tabata.

De autoria do vereador Rinaldi Digilio (PSL), o projeto de lei busca criar a “Semana Escolhi Esperar” nas escolas, com palestras e atividades voltadas a promover a abstinência sexual como forma de prevenir a gravidez precoce.

O nome da proposta faz referência a um movimento mundial conservador que incentiva adolescentes e jovens a terem a primeira relação sexual somente após o casamento.

Segundo a covereadora da bancada feminista do Psol, Natalia Chaves, a principal crítica ao PL é a relação do cunho religioso na criação de uma política pública.

Educação para adolescentes

– Uma orientação religiosa não pode se tornar uma política pública. Ainda mais quando há evidência científica de estudos que mostram que a abstinência sexual não previne a gravidez precoce. É um discurso moralista que evita dar informação, porque para essas pessoas educar é incitar as jovens a terem relações sexuais – diz Natalia.

Segundo as integrantes dos grupos feministas, o caminho para prevenir a gravidez precoce não passa pela abstinência, e sim pela promoção da educação sexual entre os adolescentes.

Como explica Simony dos Anjos, integrante do coletivo Evangélicas pela Igualdade de Gênero. “A educação sexual tem dois objetivos: proteger crianças e adolescentes de abusos e que eles entendam seus corpos, que saibam como se relacionar sexualmente de maneira responsável”, diz Simony.

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